Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 11/10/2020
Nascido no ano 4 a.C. o filósofo Sêneca foi um dos mais importantes pensadores do Estoicismo. Para ele, o sofrimento que um indivíduo sente está muito mais em seu imaginário do que de fato acontecendo. Nesse contexto, Sêneca certamente não aprovaria as campanhas eleitorais realizadas nas redes sociais em 2018, inflamadas por notícias falsas e movimentadas por grandes teorias conspiratórias. Dessarte, convém analisarmos o modelo que foi praticado e a principal consequência a sociedade.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a imprensa e os meios de comunicação são influentes no resultado eleitoral desde os primórdios democráticos. Aristóteles foi o primeiro crítico dos sofistas (políticos com grande habilidade oratória; treinados para convencer a maioria). Tal modelo se preocupava em vencer o debate, não necessariamente apresentar a melhor proposta. De maneira análoga, tal prática continua sendo repetida dentro do atual modelo democrático. A preocupação central do candidato (que deveria ser a apresentação de suas propostas) é sucumbida por mensagens de ataque ao adversário. Sob esse ângulo, o eleitor passa a se preocupa em quem é o “menos pior”.
Conquanto, é importante ressaltar o papel das redes sociais como veículo realizador desse processo. No documentário “O dilema das redes” da empresa Netflix, funcionários de diversas empresas de tecnologia denunciam como as mensagens são entregues aos usuários. É revelado que para obter o maior tempo de retenção do internauta na plataforma, foi desenvolvido através de inteligência artificial um logaritmo que mede a eficiência da mensagem. Por consequência observou-se que mensagens catastrófica e de cunho conspiratório geravam maior engajamento dos usuários o que, em síntese despertou a atenção dos publicitários políticos para usufruir ao máximo do recurso.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para regulamentar a propaganda eleitoral nas redes sociais, urge que o Tribunal de Justiça Eleitoral crie por meio de projeto de lei, conjunto de normas e diretrizes para a veiculação de propaganda nas redes sociais que detalhe, todos os tipos de conteúdo permitidos e não permitidos, considerando conteúdos falsos e conspiratórios passíveis de penalidade e sujeito a cassação da chapa eleitoral. Por conseguinte, tal iniciativa tornaria o sistema eleitoral mais justo e contribuiria para um embate democrático no campo das ideias e da razão, deixando as especulações fora de pauta, como já havia sugerido Sêneca.