Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 12/10/2020
No século XX, com o advento da Terceira Revolução Industrial, as relações sociais sofreram alterações diante da presença de novas tecnologias no cotidiano dos indivíduos, o que dinamizou a comunicação e a disseminação de informações. Hodiernamente, a internet e as redes sociais são importantes veículos informacionais no Brasil, em virtude de seu elevado alcance e acessibilidade. Entretanto, previamente às eleições presidenciais de 2018, a utilização desses meios de comunicação para manipulação política e compartilhamento de notícias falsas subverteu o papel informativo das mídias, o que contribui para a insegurança no ambiente digital e para a alienação da população.
Em primeira análise, cabe pontuar que o poder ideológico das mídias, assim como a manipulação dos meios de comunicação por parte de grandes empresários e políticos, torna a internet pouco segura. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado em prol da democracia, como as redes sociais, não deve ser utilizado como instrumento de opressão simbólica. No entanto, a disseminação de informações falsas, com o intuito de manipular os eleitores brasileiros, evidencia a subversão do papel democrático das mídias. Por conseguinte, a insegurança informacional é favorecida, uma vez que as redes sociais tornam-se pouco confiáveis, prejudicando a camada populacional que utiliza a internet como único meio para obter informações.
Além disso, esse panorama de manipulação ideológica culmina na perda de autonomia política dos eleitores, o que prejudica a cidadania. A esse respeito, o filósofo iluminista Immanuel Kant caracterizava a menoridade intelectual como um estado em que o indivíduo encontra-se manipulado e sem capacidade de pensar por conta própria. Sob esse viés, o controle dos meios de comunicação de massa por parte da elite aliena a população brasileira, que passa a viver a menoridade kantiana, visto que os indivíduos são influenciados a votar em determinados candidatos e não reivindicam seus direitos. Assim, a cidadania é cerceada, diante da falta de engajamento político dos eleitores.
Diante do exposto, torna-se evidente a necessidade de estimular o uso positivo das redes sociais em relação à política. Para tanto, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral combater a manipulação política e a disseminação de notícias falsas na internet. Isso será feito por meio de canais de denúncia online, instalados dentro de cada rede social, e por meio da fiscalização dos meios de comunicação dos candidatos às eleições, a fim de garantir a credibilidade das informações veiculadas e a segurança informacional no ambiente digital. Ademais, o Ministério da Educação (MEC) deve incentivar a atuação ativa dos eleitores na comunidade, com o fito de assegurar o exercício pleno da cidadania. Com efeito, o papel democrático das redes sociais, pontuado por Bourdieu, será efetivado.