Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 14/10/2020

O conto “O Segredo do Bonzo”, de Machado de Assis, revela uma doutrina aplicada no reino de Bungo, cuja população era convencida de teorias absurdas por meio da divulgação em espaços públicos, o que gera reconhecimento e benefícios para o praticante. De modo análogo, as redes sociais são espaços de publicidade, tendo um papel decisório nas discussões políticas, por impulsionar campanhas e favorecer um determinado candidato em detrimento aos demais. Nesse contexto, é válido analisar como essas mídias promovem a alienação social e interferem na escolha política, comprometendo a democracia do país.

Em vista disso, as redes sociais transmitem vastas informações capazes de persuadir a opinião pública e ganhar eleitores. Nessa perspectiva, o documentário “O dilema das redes”, revela os perigos do uso indiscriminado das redes sociais, uma vez que, todo clique, curtida e tempo visualizado servem para a coleta de dados e criação de um algoritmo, que direciona as postagens de acordo a cada perfil, prejudicando o aspecto pessoal e social das pessoas. Por conseguinte, os indivíduos têm acesso as inúmeras “fake news”, notícias falsas que em discussões políticas induz na escolha do representante e modifica os resultados das eleições. Logo, a democracia é mutilada por não haver uma análise crítica, livre de influências externas e baseada nas próprias convicções.

Ademais, a alienação social propiciada pelas redes sociais é uma problemática notória nas eleições. Nesse sentido, de acordo com a teoria “Banalidade do mal”, da filósofa Hannah Arendt, a alienação é resultado de uma sociedade de massa, em que os indivíduos perdem a capacidade de pensar e questionar-se diante de situações rotineiras, naturalizando o mal. Contudo, muitas pessoas não têm o discernimento necessário para filtrar as informações, o que potencializa os compartilhamentos e a disseminação de conteúdos duvidosos, sendo coniventes com essa banalização, que prejudica as discussões políticas e manipula a decisão de voto. Assim, a mídia assume um papel estratégico na divulgação de campanhas, obtendo benefícios políticos ao atrair a atenção e o reconhecimento do público, similar a doutrina do reino de Bungo que alienava a população.

Portanto, o Ministério da Educação deve criar um projeto destinado ao uso consciente das redes sociais e selos de averiguação, instruindo as pessoas a identificarem a veracidade das informações contidas na internet, principalmente durante discussões políticas. Isso deve ocorrer por meio de parceiras com instituições escolares e mídias, com o intuito de evitar a disseminação de postagens inverídicas, preservando o pensamento crítico dos sujeitos. Dessa forma, a escolha política será livre de interferências e a democracia resguardada, para um melhor exercício da cidadania.