Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 14/10/2020
As redes sociais são positivas para as discussões políticas e permitem o debate e oposições de ideias, que segundo o filósofo francês Jacques Rousseau, são necessários para que se alcance o bem comum na democracia. Contudo, nas eleições de 2018 ocorreu o oposto, entende-se que as brigas e conflitos virtuais ofuscaram a dialética, e como consequência, o papel das redes sociais foi sediar o campo de batalha para inimigos, e não à ágora de cidadãos de uma mesma nação. Com vista disso, cabe uma análise de como educar e incentivar os eleitores brasileiros a usar as redes sociais responsavelmente para debater ideias construtivas.
Em primeiro plano, é necessário que, para se discutir ideias, os cidadãos possuam informações consistentes e embasadas. Porém, um estudo feito pela Kaspersky revela que, no Brasil, 62% da população não consegue diferenciar noticias verdadeiras de fake news, enquanto 42% dos brasileiro não costumam a checar as notícias que recebem pelas redes sociais. Por isso, para que se conheça os candidatos de uma eleição, os eleitores devem se atentar tanto aos planos de governos quanto às entrevistas realizadas por eles. Caso o contrário, tem-se pessoas debatendo mentiras e inverdades que são, sem dúvidas, nocivas à democracia.
Não obstante, a falta de incentivo do governo ao engajamento político dos jovens é notório. Apesar de no Brasil haver inúmeras olimpíadas de ciências e conhecimentos, não há para alunos do fundamental e ensino médio nenhuma competição de dialética ou oratória. Como resultado, eles acabam o período escolar sem à prática de se informar sobre problemas sociais e muita das vezes, sem ter familiaridade com debates. Por fim, tem-se eleitores fechados em bolhas, preocupados apenas com seus problemas e não com as necessidades de uma nação. Tais competições são comuns em países como Inglaterra, Coreia do Sul e Estados Unidos, e são urgentemente necessárias para o Brasil, que historicamente, teve curtos períodos de democracia.
Por isso, percebe-se que apesar das redes sociais terem muito a adicionar com discussões das eleições e à política, é necessário que a população saiba usá-las para tal, cabe ao Estado, como moderador social, a responsabilidade de promover tanto competições de debates e oratória para jovens em idade escolar, quanto campanhas educativas que incentivem e ensinem os eleitores a ler e estudar os candidatos. Dessa forma, bem informado e acostumado com o embate de ideias construtivas, o brasileiro estará pronto para usar as redes sociais como assembleias, e assim, como dito por Rousseau, troca-se a ditadura da maioria pelo bem comum, necessário para o funcionamento de uma democracia saudável.