Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 15/10/2020

Com a chegada da Era da Tecnologia e da Informação as redes sociais ganharam grande credibilidade e tornaram-se palco de debates. Estas, ao possibilitarem trocas e estimularem discussões, tornaram-se instrumentos importantes da democracia. No entanto, se por um lado democratizaram o acesso à informação por outro tornaram-se um fértil espaço para disseminação de informações falsas em todas as esferas da sociedade, incluindo a política, na qual tomaram o papel de mecanismos de manipulação, interferindo não democraticamente, como no caso das eleições de 2018.

Andrew Guess, em seu artigo fala de um novo tipo de desinformação política, marcada por uma dubiedade factual com finalidade lucrativa. Desse modo, a partir de “bots” e “fake news”, cria-se uma estrutura de poder hegemônico com intuito de controlar as massas e se beneficiar. Nesse sentido, apesar dos meios de comunicação prestarem um serviço público, são pertencentes a empresas privadas e reproduzem seus ideais. Outrossim, devido ao importante papel das notícias na promoção de discussões políticas a automatização, disseminação viral de desinformação, criação e manipulação de tendências contribuem para narrativas ideológicas que não materializam os comportamentos sociais. A exemplo, pode-se citar a empresa Cambridge Analytica banida do Facebook após manipular dados de 50 milhões de usuários em prol de Donald Trump durante sua campanha eleitoral.

De modo análogo, as redes sociais assumiram um hediondo papel nas eleições em 2018. À vista disso, podemos citar Ben Supple, gerente de políticas públicas do WhatsApp, que identificou empresas que fizeram disparos massivos de mensagens favoráveis à candidatura de Jair Bolsonaro. De acordo com um estudo da Avaaz certa de 89% do eleitorado do candidato acreditou em pelo menos uma das notícias criadas ao longo da campanha. Não obstante, após sua candidatura, o individuo continuou a fazer uso deste artifício. Segundo pesquisas feitas pela UFRJ, 55% das publicações pró-Bolsonaro no Twitter foram feitas por robôs. Em um cenário onde o número de pessoas que vem fazendo uma construção identitária e política exclusivamente a partir dessas redes, essas não verdades possuem grande peso e influência, dando ao cidadão uma falsa ideia de democracia.

As redes sociais possuem um evidente mérito de proporcionar debates e amplificar vozes, porém sua má utilização resulta em um grande óbice da democracia.Destarte, cabe às empresas responsáveis criar ferramentas que analisem e limitem propagandas politicas, bem como identificar e excluir contas bot, além de alertar seus usuários sobre estas ações para que assim o número de notícias e opiniões falsas não ganhem tantas proporções como nas eleições de 2018. Ademais, cabe aos cidadãos e candidatos políticos compreender sua responsabilidade com a verdade e com o regime democrático.