Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 13/10/2020

Na série “Black Mirror”, é retratado como empresas coletam dados e comercializam de forma a criar um público alvo para receber informações selecionadas. De maneira análoga, fora da ficção, existem algoritmos que filtram a atividade dos usuários nas redes sociais, fato que influenciou e potencializou as discussões políticas nas eleições de 2018 no Brasil. Diante disso, nota-se que a mídia contribui para a restrição de informações disponíveis e para a influência na escolha do candidato pelo eleitor.

Em primeiro lugar, é importante destacar que atualmente as redes sociais têm papel importante para a propagação de informações. Todavia, percebe-se que essas informações nem sempre são fiéis e podem virar notícias tendenciosas, o que ocasiona na restrição do conhecimento ao eleitor. A exemplo, vale lembrar que, em 1937, foi anunciado no programa radiofônico “Hora do Brasil”, o “Plano Cohen”, o qual previa a invasão de comunistas no Brasil e, anos depois, foi descoberto que o plano era um golpe para manter Getúlio Vargas no poder. Com efeito, em 2018, foram espalhadas várias “Fake News” -  notícias mentirosas - em todo o território brasileiro para alavancar ou prejudicar a candidatura de um determinado candidato, o que contribuiu significativamente no resultado das eleições.

Ademais, é válido pontuar que as redes sociais influenciam na escolha e opinião do eleitor. Nesse sentido, o documentário “Privacidade Hackeada”, publicado pela plataforma Netflix, apresenta a manipulação de dados feita feita pela empresa Cambridge Analytica, durante a eleição  presidencial de 2016 nos Estados Unidos, fato que repercutiu em vários países. De forma similar, no Brasil, durante as eleições de 2018, essas empresas estavam bombardeando a todo momento os internautas, principalmente no Facebook e Twitter, com propagandas com conteúdo mentiroso, de modo a influenciar a escolha política da pessoas. Além disso, em outros casos, parte dos indivíduos que já possuem opinião formada podem interpretar uma mesma notícia de formas diferentes correndo o risco de acreditarem que a informação é tendenciosa, o que contribui para a perda de credibilidade da plataforma.

Em vista disso, a fim de amenizar essa problemática, as plataformas sociais devem verificar os anúncios para evitar a propagação de “Fake News” e, ainda, proteger os dados dos usuários, isso pode ser feito por meio de maior fiscalização dos anúncios e campo disponível para os internautas fazerem as denúncias. Em adição, é mister que o Ministério da Cidadania, mediante o repasse de verbas para canais televisivos, sites, escolas e bibliotecas públicas, promova o letramento digital dos indivíduos, para torná-los mais críticos e capazes de identificar e denunciar uma publicação tendenciosa. Dessa maneira, será possível utilizar as redes sociais de forma benéfica e não atrapalhar o desenvolvimento natural da democracia nas próximas eleições.