Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 16/10/2020

De fato, nas eleições de 2018 no Brasil, houve um intenso uso da redes socias, as quais tiveram papel fundamental nas discussões políticas. Porém, ao mesmo tempo que foi propiciado a milhões de pessoas a oportunidade de transmitir a sua opinião, muitas discussões, produtivas e improdutivas, fundiram várias realidades e pontos de vistas, gerando conflitos entre os internautas. Dessa maneira, o ambiente intelectual ficou cada vez mais vítima do tribunal da internet, bem como, também, da propagação de discursos nacionalistas.

A princípio, as discussões de caráter produtivo visam acrescentar algo ao ponto de vista, enquanto que, as improdutivas geram uma opinião indiscutível e criam o tribunal da internet, em que uma massa de pessoas querem impôr a sua ideologia a outras. Nesse âmbito, o que era para construir uma democracia e visar um bem estar social a toda população, envolveu mais do que questões políticas, como também, religião, cultura e opção sexual, fazendo com que muitos eleitores buscassem mais do que um presidente, e sim um “Deus”. Por analogia, alguns candidatos acabaram se beneficiando, como o candidato Jair Bolsonaro, que usou o discurso “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, em um país que é laico desde 1890. Dessa forma, refletiu-se em tal grau que a democracia ainda é fraca no nosso país e o quanto a internet, por mais moderna que é atualmente, precisa evoluir muito para alcançar um bem estar social e visar diminuir, através dela, as desigualdades.

No filme “O dilema das redes”, foi gerado um alerta de como nossos dados são massificados, como também, como podemos ser influênciados pelas redes sociais. Similarmente, muitos discursos de ódio foram propagados em diversos sites para que fosse gerado uma opinião comum, o chamado nacionalismo, que segundo Charles de Gaule “Patriotismo é quando o amor por seu povo vem primeiro, e nacionalismo é quando o ódio pelos demais vêm primeiro”. Assim, ao invés de transmitir, através das mídias, discursos democráticos passíveis de opinião, o ódio acabou se disseminando entre os próprios brasileiros gerando um embate entre a população e facilitando a propagação de fake news. Logo, o grande problema, é que boa parte da população só começou a participar das discussões políticas por meio da internet, como também, sem um processo educacional precedente.

Por conseguinte, em meio aos discursos gerados com o tribunal da internet e indivíduos nacionalistas, é necessário criar um tribunal online, através do Ministério Público e do STF, por meio de profissionais especializados na área, para que haja menor disseminação de ódio e interferências precárias nas discussões políticas. Assim, é esperado que a democracia seja alcançada até mesmo nas redes sociais.