Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 13/10/2020

No ano de 1937, surge o Plano Cohen, um suposto documento atribuído aos consumistas, que conteria um projeto para derrubar o presidente do poder, Getúlio Vargas. Ele, aproveitando da situação, iniciou articulações para o Golpe do Estado Novo, permanecendo no poder. Nessa perspectiva, percebe-se que a realidade hodierna assemelhasse ao fato histórico, visto que as eleições de 2018 foram bastante influenciadas pelas redes sociais, sendo motivada tanto pelo alto poder de massificação cultural quanto por uma forte alienação popular fundamentada nas redes sociais.

Antes de tudo, é digna a menção dos fatores que possibilitam o aumento das influências midiáticas, em questão, as redes sociais. Nesse contexto, Adorno e Horkheimer, participantes da Escola de Frankfurt, no livro “Dialética do Esclarecimento” desenvolvem o conceito de Indústria Cultural, em que afirmam que a sociedade é capaz de transformar uma cultura em um produto a ser consumido, ou seja, há uma massificação cultural. Sendo assim, no cenário das período eleitoral de 2018, os indivíduos possuem a liberdade de escolher, mas sempre escolhem a mesma coisa, o mesmo candidato, os quais são influenciados pela indústria cultural de Theodor e Adorno, tendo em vista o fermento do direito de escolha do cidadão.

Outrossim, é válido ressaltar que o ser humano perde a sua capacidade de escolha nas redes sociais. Conforme o conceito “Mortificação do Eu”, do sociólogo canadense Erving Goffman, é possível entender o que ocorre na internet que induz o indivíduo a ter um comportamento alienado. Tal preceito afirma que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Dentro do contexto das eleições 2018 e as discussões políticas na internet , o usuário, sem perceber, é induzido a pensar em determinados aspectos políticos e candidatos devido a um “bombardeio” de opiniões que aparece em seu dispositivo conectado. Evidencia-se, portanto, uma falsa liberdade de escolha quanto à votação e a predileção de um concorrente.

Infere-se, portanto, a resolução desse imbróglio. Dessa forma, o Ministério da Educação - órgão responsável pela formação civil - insira nas escolas, desde a tenra idade, uma disciplina que discorra sobre a importância da neutralidade no campo das redes sociais, por meio palestras e debates, com profissionais especializados em Psicopedagogia e Sociologia, a fim de desfazer o pensamento massificado do indivíduo civil, para que, assim, ele manter as suas opiniões e não ser influenciado pelo pensamento alienado das redes sociais. Somente assim, o cidadão será capaz de votar por escolha própria e não mais ter um comportamento alienado como o conceito “Mortificação do Eu”.