Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 13/10/2020
Ao analisar as Cartas Chilenas de Tomás Antônio Gonzaga, percebe-se que a obra é marcada por textos satíricos sobre as corrupções do governador de Minhas Gerais, inflando as tensões políticas do período, que mais tarde, seria palco da Inconfidência Mineira. Hoje a movimentação e organização de discussões políticas ganharam uma inovação tecnológica - as redes sociais. Diante disso, o papel do ambiente virtual em assuntos políticos torna-se, atualmente, um importante debate, pois ela pode ser uma ferramenta na aglutinação de pensamentos semelhantes, fortalecendo movimentos em busca de direitos, assim como pode ser um meio de promover agentes antidemocráticos no cenário político.
Em primeiro plano, há de se ressaltar a importância das redes sociais em novas manifestações. No início da década de 2010, inicia-se um período revolucionário no Oriente Médio e se alastra por outras regiões do globo, todos levantes tinham como característica em comum o uso das redes sociais na organização dos movimentos, integrando de forma rápida e eficaz todos aqueles que tinham interesses alinhados a eles. Nesse contexto, os movimentos que outrora eram fortemente reprimidos, hoje, ganham fôlego na luta por seus ideais, por terem nas redes sociais um palco para denunciar abusos e censuras dos governos e autoridades. Nesse sentido, o ambiente virtual é, assim como as Cartas de Tomás, uma forma de alinhar pensamentos e inflamar a sociedade nas discussões políticas, consequentemente, a fazendo lutar por seus direitos democráticos.
Ademais, é necessário discutir acerca dos males causados pelo uso das redes sociais com o intuito de manipulação de parte da população. Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, a ralé é um grupo no qual é representado por resíduos de todas as classes, sem identidade própria e que cultuam um grande líder. Nesse seguimento, as redes sociais podem potencializar a imagem de líderes extremistas, tornando-os “Salvadores da Pátria”. A forte manipulação da ralé, aliado a disseminação de falsas notícias, as " Fake News", faz com que discursos de ódio ganhem força e que minorias e segmentos marginalizados na população sofram com constantes ataques, ferindo direitos humanos e democráticos. Dessa maneira, é claro o malefício que as redes possam trazer à uma sociedade que preze por democracia.
Fica evidente, portanto, que o papel das redes sociais nas discussões políticas podem ser ser benéficas quando utilizadas de modo a agregar a movimentos sociais, mas podem ser nocivas a estrutura constitucional do Brasil. Assim, faz-se imprescindível que o poder Legislativo crie leis a fim de impor a empresas que gerem as redes sociais, tenham especialistas que identifiquem e excluam as falsas notícias, punindo aqueles que não atenta à norma. Quem sabe, assim tenha-se um país democrático.