Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 14/10/2020

A partir da III revolução industrial, no início do século XX, as tecnologias de informação ganharam mais espaço no cotidiano das pessoas e trouxeram inúmeras mudanças no comportamento e nas estruturas sociais. No entanto, o uso indevido das redes sociais traz impactos negativos para a política, uma vez que uma parcela da sociedade é influenciada e muitas vezes alienada por notícias sem fundo de verdade, podendo até mesmo impactar nos resultados da votação nas urnas.

Em primeiro plano, para Karl Marx a alienação ocorre a partir do momento que se tira do ser humano a capacidade criativa, fornecendo ideias prontas e sem a dialética - ou seja, a arte do diálogo - para construção do pensamento. Sendo assim, as mídias sociais são um prato cheio de ideias pré-fabricadas que influenciam pessoas a seguir uma linha de pensamento muito parcial, afetando o poder de escolha democrática, o que desencadeia a formação de uma política exclusivista ausente de pluralidade, sem a qual é impossível a construção de uma sociedade mais justa, o que prejudica a formação social e melhor estruturação de minorias.

Ademais, de acordo com a pesquisa TIC Domicílios a internet no Brasil é usada por 70% da população, e o uso das redes sociais vem tendo crescimento em decorrência da popularização de celulares com acesso à internet. Entretanto, o uso dessas plataformas digitais concede a pessoas mal intencionadas um palco para expor suas ideologias políticas atrás de uma tela e o destemor de ser questionado em público fomenta um debate sem troca de ideias. Desse modo, discussões políticas indispensáveis para a garantia de um bem estar social, com melhores oportunidades para aqueles marginalizados, são deixadas de lado e dão lugar a visões preconceituosas que permeiam as sociedade, trazendo consequências danosas para os indivíduos.

Com isso, é imprescindível que o Estado obrigue os criadores de redes sociais a combater  o disparo de notícias falsas e as páginas que contenham ideias preconceituosas e parciais que possam influenciar negativamente o pensamento dos usuários, e consequentemente afetar a escolha política destes, por meio da criação - com empresas especializadas em tecnologia de informação - de algoritmos que vão identificar palavras e frases com conteúdo prejudicial, com a finalidade de sucatear esse tipo de temática e diminuir a influência negativa destas. Para além disso, as instituições escolares devem incentivar a criticidade e a arte da dúvida e do diálogo, por meio de atividades que encorajem o debate e a troca de experiência entre os colegas, fazendo perguntas que levem à reflexão, a fim de implantar desde o colegial a capacidade de duvidar e de formar ideias, a qual é imprescindível para o debate político.