Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 16/10/2020
Na Grécia antiga, os debates políticos eram feitos em Ágoras, atualmente, as redes sociais fazem o papel de praças públicas muito bem. Com tudo, elas têm uma abertura e flexibilidade que a vida real não possui, elas possibilitam relacionamentos sem hierarquias e igualitários. Nesse sentido, as possibilidades de como se propagar uma ideia é infinita e se ela explodir, capaz até de eleger um presidente, já que, as mídias sociais ditam a vida das pessoas hoje em dia. Sob tal ótica, esse cenário não só desperta o interesse de empresas na manipulação dos dados, mas como também, na propagação de fake news.
Primeiramente, é válido ressaltar que o uso de smartphones nas eleições virou algo comercial desde a campanha eleitoral de Barack Obama em 2008. De maneira análoga, como uma sociedade conectada, muito do que acontece nos Estados Unidos é importado para o Brasil, sendo assim, os partidos brasileiros começaram a fazer uso de redes sociais e aplicativos de mensagens para aumentarem o seu público eleitoral, assim como é feito no país norte americano. Dessa forma, empresas como Cambridge Analytica viram isso como uma oportunidade de negócio, como mostrado no documentário da Netflix, “Privacidade Hackeada” mostra como os dados das pessoas podem ser vendidos e usados para que um presidente seja eleito.
Outrossim, o espaço cibernético dissemina informações de forma bastante veloz. O WhatsApp é um aplicativo de mensagens usado por milhões de pessoas diariamente, e foi uma ferramenta decisiva na eleição de 2018. Em face disso, como mostrado em uma publicação do site El País o envio de mensagens para espalhar boatos sobre o adversário, do então presidente do Brasil Jair Bolsonaro, cresceram durante a reta final do segundo turno de votações. Sendo assim, a fake news foi amplamente usada na última eleição, sendo difundidas por grupos que tinham a finalidade de mudar a opinião pública e cativar novos eleitores.
Portanto, se faz necessário que medidas sejam tomadas para que as eleições sejam feitas de uma maneira clara e sem grandes influências externas. Posto isso, a fim de dar liberdade de escolha ao indivíduo, cabe ao Ministério da Justiça criar leis que regulem como as empresas e partidos podem fazer o uso dos dados das pessoas. Além disso, é de suma importância que o cidadão fique atento ao compartilhar de noticias na internet, sempre verificando a fonte e os dados antes de espalha-la. Por fim, espera-se que com isso, a volta de debates mais igualitários e sem extremas manipulações voltem, assim como se foi esperado de uma sociedade baseada em debates feitos em praças públicas.