Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 14/10/2020
De acordo com Pierre Bourdieu, sociólogo francês, aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação. Essa visão, embora correta, não é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que políticos aproveitam-se das redes sociais no período de eleições e com o uso da persuasão e de falsas promessas buscam obter o máximo de eleitores. Isso ocorre ora devido à educação massificadora vigente no país, ora em decorrência da falta de esclarecimento da população a respeito da superficialidade da política.
A priori, é imperativo concatenar a educação com o pensamento de Theodor Adorno e Max Horkheimer. Segundo os filósofos da Escola de Frankfurt, a educação contemporânea tem como meta a homogeneização comportamental da população, como forma de facilitar o controle das pessoas e a aceitação de ideologias induzidas pelo Estado e sistema econômico atuante. Sob esse viés, sem uma idiossincrasia formada durante o período escolar, o indivíduo tende a não possuir um pensamento crítico desenvolvido, o que o faz aceitar sem contestação informações que chegam até ele. Nessa lógica, atrelando-se às propagandas políticas, estratégias persuasivas tendem ter maiores probabilidade de resultados positivos.
Paralelo a isso, é imperioso relacionar a superficialidade da política com o pensamento de Maquiavel. Conforme o filósofo italiano, a política tem pelo menos duas caras. A que se expõe aos olhos do público e a que transita nos bastidores do poder. Nessa perspectiva, o que é passado pelos políticos por meio de postagens em redes sociais esconde a verdadeira realidade, em que a grande maioria procurará satisfazer interesses individuais caso eleito e busca consegui-los por meio da mentira e manipulação. Tal objetivo consegue se concretizar quando a população não é alertada acerca de tal metodologia.
Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para dificultar tal ação nas redes sociais. Necessita-se, precipuamente , que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de palestras com o tema “Manipulação Política nas Redes e Pensamento Crítico” em escolas públicas e privadas. Isso deve ser feito por meio da contratação de Psicólogos com o intuito de instruir os jovens acerca dos meios persuasivos utilizados pelos políticos, com utilização de exemplos em slides e os malefícios que isso traz para a democracia e uma boa escolha politica. Com a finalidade de torná-los aptos a identificarem possíveis induções comportamentais e tenham um pensamento crítico aguçado. Dessa forma as redes sociais permanecerão como um instrumento de Democracia e não de Manipulação.