Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 14/10/2020
Na Antiguidade Clássica, a Ágora era o local onde os gregos debatiam sobre as questões públicas vivenciadas na pólis. Nesse contexto, as redes sociais, na sociedade hodierna, desempenham papel semelhante da Ágora, visto que é notório as discussões políticas nos ambientes virtuais. No entanto, essa realidade apresenta falhas, como a manipulação das informações e dos processos democráticos. Isso acontece devido a inércia das redes sociais e da falta de punições aos responsáveis.
Mormente, é importante ressaltar a postura indiferente das empresas de internet em relação aos problemas gerados em suas plataformas. Nessa perspectiva, de acordo com uma reportagem do jornal O Tempo, a falta de ações das redes sociais para coibir a disseminação das chamadas “fake news” são um dos principais fatores que contribuem para a manipulação de informações. Em virtude disso, é notável grande proliferação de inverdades em períodos eleitorais, pois não há mecanismos capazes de atenuar essa problemática. Dessa forma, certos candidatos ou partidos, alvos das notícias falsas, ficam suscetíveis a má interpretação por parte da sociedade.
Além disso, não existem leis que punam as pessoas que divulgam mentiras nas redes sociais. Em paralelo, consoante a Constituição de 1988, todas as pessoas têm o direito de expressar, independente da comprovação dos fatos. Em consequência, muitas organizações políticas divulgam mentiras em grupos do WhatsApp e do Facebook, pois, além de não haver punições legais, são respaldados pelos direitos constitucionais. Logo, é inegável que as mídias digitais são lugares de amplas discussões políticas, porém necessita de aperfeiçoamento.
Portanto, as redes sociais devem, por meio de investimentos, criar programas capazes de rastrear as notícias falsas que envolvem assuntos políticos, a fim de conseguir banir os usuários que compartilham, além de excluir das redes as informações incorretas. Ademais, o Governo Federal pode, mediante decreto, regulamentar punições para os indivíduos ou organizações políticas que agem negativamente no ambiente virtual com intuito de atenuar as manipulações e garantir a isonomia nas eleições futuras.