Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 16/10/2020

Em Rede de Ódio, drama polonês de Jan Komasa, é retratada a história de um jovem renegado, que inicia-se em uma empresa de publicidade, a qual, dentre suas funções, presta serviços ilícitos de manipulações de informações em redes sociais, para promoção de candidatos políticos. De forma análoga ao drama, o papel das redes sociais  nas discussões políticas se tornou decisivo no tocante às intenções de votos nas eleições de 2018, impactando diretamente no resultado das eleições de muitos países. O acesso à internet está diretamente relacionado com a poderosa influência que as mídias sociais têm diante da sociedade.  Ainda nesse sentido, o escândalo envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica, vem à tona para explicitar o quão manipulável, politicamente, pode se tornar uma sociedade que não promove proteção virtual aos seus usuários.

Primeiramente, é importante analisar a relação entre acesso à internet e a influência das redes no tecido social. De acordo com pesquisa realizada em 2018 pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, a ação para induzir  opinião pública por meio das mídias sociais dobrou em um ano. Dados do Ipsos e Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) de 2016, apontaram  que 70% dos brasileiros tinham acesso à internet, e de 2014 à 2018 esse numero quase dobrou. Diante disso, fica evidente que é plenamente possível que Governos autoritários façam uso dos dados obtidos na rede, para moldar a opinião pública, conduzindo  o rumo de um país.

Além disso, é de fundamental importância perscrutar a polêmica envolvendo o Facebook e  a empresa de consultoria política, Cambridge Analytica.  Sistemas políticos opressores estão em ascensão no mundo todo, e os dados individuais estão sendo utilizados como armas ideológicas. De acordo com Brittany Kaiser, diretora da Cambridge Analytica à época, a empresa foi responsável por manipular dados de usuários americanos durante a campanha de Donald Trump. Por meio de um dossiê de informações dos usuários que tinham maiores chances de serem manipulados, eles traçavam um perfil psicológico individual para  direcionar anúncios e propagandas que poderiam alterar suas opiniões  políticas.

Portanto, tendo em vista a problemática discorrida, medidas devem ser tomadas para superar o impasse.  Assim como fez o Twitter, o Facebook precisa  se comprometer com os tipos de anúncios que são veiculados em suas plataformas. Com o intuito de barrar a manipulação político-ideológica, é necessário que determinem a proibição de qualquer publicidade política dentro das plataformas, assegurando aos seus usuários, liberdade e segurança virtual. Direito sobre dados deveriam ser direitos fundamentais, pois trata-se da integridade democrática das sociedades.

é necessário um projeto de lei a ser entregue a camara dos deputados que limite  e proteja  o uso de dados. pois direitos sobre os dados são direitos fundamentais para a integridade de uma democracia