Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 15/10/2020
Ainda que tenham sido projetadas aproximarem pessoas e dinamizarem as interações de seus usuários, as redes sociais assumiram o protagonismo no cenário político, visto que têm sido largamente utilizadas em benefício de determinadas candidaturas. Isso se dá por meio da manipulação de informações e de seu consequente compartilhamento. Com efeito, ratifica-se que a conscientização acerca da temática é uma medida que se impões.
Em primeiro plano, é necessário que o combate à manipulação de dados e notícias seja diferenciado da censura, pois a última visa a dificultar o acesso à informação, enquanto a primeira é relativa ao exercício da liberdade de expressão respeitando os princípios democráticos. Ademais, casos como o da campanha eleitoral do então candidato à presidência Jair Bolsonaro - em que foram disseminados discursos de ódio travestidos de “defesa da família”, valendo-se de notícias fantasiosas e de falácias - devem ser severamente combatidos, uma vez que promovem a desinformação e podem acarretar episódios de violência.
De outra parte, o compartilhamento em massa de “fake news” mostra-se tão perigoso quanto a produção desse tipo de conteúdo, haja vista que a contemporaneidade é regida pela pressa, e, muitas vezes, a checagem das fontes e da autenticidade dos fatos não é priorizada. Esse problema assumiu contornos específicos quando atribui-se a Fernando Haddad o desenvolvimento de um suposto “kit gay”, que seria distribuído a crianças nas escolas. Até que se provasse ser mentira, a notícia já era tida como verdadeira por muitos, manipulando os eleitores. Nesse sentido, um caminho possível para combater a má influência das redes sociais nas eleições, além da conscientização da sociedade acerca da gravidade dessa problemática, passa, invariavelmente, por um maior controle dos meios de comunicação sobre o que é divulgado em suas plataformas virtuais.
Portanto, urge que os membros do plenário brasileiro, em parceria com os grupos que gerenciam as grandes redes sociais, atuem no intuito de mitigar a ocorrência de acontecimentos como os da corrida presidencial. Assim, cabe aos deputados, por meio da criação de leis que regulem a postagem e o compartilhamento de conteúdos, diminuir a incidência de notícias falsas que prejudiquem a democracia no país, a fim de tornar o processo eleitoral mais justo. Às empresas responsáveis pelas redes sociais, por sua vez, cabe o cumprimento dessas medidas, de modo a garantir a manutenção do Estado Democrático de Direito.