Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 16/10/2020
Votar é exercer a cidadania depositando no eleito a confiança no funcionamento pleno das instituições e, para que essa escolha ocorra, discussões políticas são fundamentais. Como setenta e quatro por cento da população brasileira possui conexão ao ambiente virtual - segundo o Comitê Gestor da Internet - as redes sociais passaram a ter um grande fluxo desses debates. Essa diversidade de ideias é um dos pilares da democracia que é prejudicado quando não ocorre a distinção entre propagandas eleitorais e notícias falsas, uma vez que elas possuem objetivos distintos. Portanto, é dever do Estado intervir e punir quem utiliza do segundo artifício - fake news - como manobra política.
É imperativo abordar, em um primeiro momento, como as informações falsas prejudicam os debates virtuais. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts divulgou que relatos inverídicos se espalham setenta por cento mais rápido que os verídicos. Com esse dado, compreende-se que o público possui mais acesso à mentira do que a verdade e, suas opiniões acabam por se pautar na manifestação intencional de algo falso com o objetivo de enganar quem está lendo. Desse modo, um candidato se torna mais conhecido não por seus atributos, mas porque se serviu de calúnias como um método de desqualificar seus concorrentes.
Sob esse viés, a propaganda política - regulamentada pela Lei Eleitoral - se difere do engodo citado anteriormente. Uma vez que o objetivo é eleger alguém, é natural que tais publicações utilizem recursos de marketing - segundo as normas judiciais - para persuadir o povo sem recorrer a inverdades. E assim, a propaganda eleitoral cumpre a sua função de permitir que o povo conheça quem concorre aos diversos cargos, o que dá autonomia para uma decisão consciente e evita a manipulação da massa, pois são os candidatos e suas propostas que estão em evidência.
Diante do exposto, conclui-se que as redes sociais possuem um papel ativo nas discussões políticas que se torna maléfico quando fake news substituem propagandas eleitorais, pois é a manipulação obstruindo a argumentação. Logo, para que se finde o problema abordado cabe ao Tribunal Superior Eleitoral - por intermédio de verbas governamentais - criar um grupo de ação que fiscalize os candidatos políticos na internet e em outros meios em época de eleição e os puna em caso de desobediência à regulamentação da Lei Eleitoral, para garantir que o combate à propagação de inverdades como estratégia política deixe de prejudicar um dos pilares da democracia - o debate. Com tal medida, a mudança esperada será concebida com êxito.