Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 15/10/2020

O uso responsável das redes sociais para a manutenção de uma verdadeira democracia deveria ser  um pilar fundamental para a busca por direitos e pelo bem-estar coletivo. Entretanto, com a ausência de controle do conteúdo político pelas mídias sociais, muitos grupos partidários tem manipulado a opinião pública, evidenciando a mutilação da cidadania. Esse processo é reforçado, ainda, com à pouca garantia de transformação da realidade que o precário sistema educacional oferece, fato que obstaculariza a formação de indivíduos capazes de combater e ignorar as alienações politicas virtuais.

Em primeiro plano, apesar da internet ter contribuído positivamente para uma maior participação política no Brasil, a falta de responsabilidade das redes sociais em permitir a veiculação de conteúdos  partidários sem restrições, está contaminando a prática coerente da democracia. Segundo o Geógrafo Milton santos, em seu texto “cidadanias mutiladas”, a democracia, extremamente necessária para a fundamentação cultural do individuo, só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadão. Nesse sentido, o direito da liberdade de escolha política é limitada a grande parcela da população, sendo perceptível nos dados da Universidade Oxford,a qual afirma que mais de 50% dos países são vítimas de manipulação política.

Ademais, além dessa realidade pouco empática, destaca-se o modelo pedagógico arcaico que, priorizando a competitividade para atender uma lógica capital, descuida-se da sua função principal de formar cidadão críticos e reflexivos para o pleno exercício da cidadania, intensificando a ausência de jovens capazes de resistir as manipulações políticas impostas nas redes sociais. Desse modo, devido à ausência de uma educação vanguardista, como ressalta Paulo Freire, o sistema educacional brasileiro contribui para instruir indivíduos com pouca formação para outros âmbitos que não seja o mercado. Consequentemente, ocorre a perpetuação de pessoas pouco capazes de combater notícias falsas e anúncios políticos que destroem os fundamentos democráticos necessários para uma cidadania plena.

Portanto, afim de combater as discussões políticas manipuladoras na internet, é necessário que as principais mídias sociais sejam mais responsáveis e controlem os anúncios partidários que visam convencer a população através de notícias e dados falsos, por meio de uma intensa fiscalização, aplicando penalidades que excluem perfis que abusam dos direitos democráticos dos internautas. Outrossim, é preciso também que o Ministério da educação(MEC), reformule o atual sistema de ensino, adotando estratégias psicopedagógicos para evitar a potencialização de uma formação técnica e sem criticidade que tem contribuído para a perpetuação de pessoas pouco preparadas para ignorar discursos partidários falsos. Assim, será possível alcançar o verdadeiro exercício da cidadania.