Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 15/10/2020

Em Atenas, pólis grega considerada “o berço da democracia”, haviam as Ágoras - praças públicas - onde os cidadãos ateniences debatiam sobre assuntos ligados à vida na pólis. Neste local, os gregos podiam votar não apenas para decidir os governantes, como também aprovar ou não suas propostas. No contexto atual, a participação política vem sendo amplamente difundida através das redes sociais, onde pessoas de todos os lugares e com diferentes opiniões podem debater entre si, o que pode acarretar em discussões baseadas em achismos e no aumento da intolerância.

Em primeira análise, é válido citar o teólogo brasileiro Leonardo Boff, que disse: “Os olhos veem a partir de onde os pés pisam”, ou seja, para ele, a visão do homem está limitada às suas experiências, bases familiares, etc. Observando um passado próximo, é possível notar que, de fato, isso era uma realidade, tendo em vista que o acesso à informação era ainda mais difícil que nos dias atuais, e os ideais morais e políticos eram determinados pelo meio que o indivíduo estava inserido. Por outro lado, no mundo globalizado proposto pelas redes sociais, qualquer pessoa com acesso à internet pode acompanhar a política de todo o mundo, pois, com frequência, tais questões despontam nas redes, mostrando aos usuários acontecimentos em tempo real sobre a economia, governantes, entre outros.

Ressalta-se, ademais, que postagens feitas em sites ou redes sociais possibilitam comentários sobre o tema, e a garantia de expor opiniões de forma anônima na internet encoraja pessoas mal-intencionadas a julgarem o ponto de vista alheio, gerando um ambiente propício para a disseminação de discursos de ódio contra quem realmente está interessado em entender as causas e consequências dos assuntos políticos que cercam a população e opinar de forma construtiva sobre eles.

Apesar disso, as redes sociais têm sido de suma importância para despertar o interesse do povo em exercer sua cidadania; ao escolher ampliar seu repertório de conhecimento, saindo de uma visão alienada, atentando-se aos fatos e informando-se acerca de diferentes correntes de pensamentos, sem que precisem sair da sua zona de conforto para isso, como acontecia na antiguidade clássica.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação, que, por intermediário de minicursos, instrua educadores - especialmente os docentes em filosofia, haja vista o conhecimento de diferentes vertentes de pensamentos inerentes a tal curso - a elucidar em suas aulas a importância do respeito e da tolerância em todos os recintos, incluindo o virtual, a fim de estimular os alunos a manter um ambiente pacífico e aberto a opiniões particularmente distintas. Outrossim, urge que redes sociais como o Facebook e o Instagram filtrem os comentários que lhes são denunciados pelos usuários, além de bloquear palavras de baixo calão, tornando as medidas de fiscalização dos remetentes de comentários mais segura.