Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 16/10/2020

O escritor britânico George Orwell, em seu célebre romance ‘’1984’’, descreve uma distopia na qual os meios de comunicação são controlados e manipulados para garantir a alienação populacional frente ao governo totalitário. Entretanto, apesar de caracterizar-se por uma ficção, a obra assemelha-se a realidade atual, em que cidadãos constantemente são influenciados por informações previamente selecionadas, de acordo com dados pessoais e, teoricamente, sigilosos. Nesse contexto, assim como em outros países, em 2018, as redes sociais influenciaram os resultados das eleições presidenciais brasileiras.

Segundo a autorreflexão fenomenológica do filósofo germânico Hegel, cada indivíduo é filho de sua época. Isso é: a consciência humana e a realidade estão constantemente relacionadas, sendo os pensamentos formados a partir do contexto histórico. Essa relação é ainda mais influente nos tempos modernos, nos quais indivíduos estão conectados às mídias sociais, como é mostrado no documentário ‘’Privacidade Hackeada’’, em que empresas multimilionárias vendem dados coletados, incluindo conversas privadas, para partidos políticos de todo o mundo, como Estados Unidos da América e Reino Unido. Dessa forma, são criados perfis informacionais com mais de cinco mil ponto de análises para definir cada cidadão, desde seus interesses, medos e ideias e, assim, manipulá-los com propagandas eleitorais.

Do mesmo modo, na conjuntura eleitoral brasileira, os candidatos presidencialistas constroem, a partir das características do eleitorado, propagandas específicas ao gosto de cada segmento político, como informa o coordenador da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político, Fernando Neisser. Consequentemente, de acordo com o DataSenado, as redes sociais influenciam o voto de 45% da população, o que representa noventa milhões de indivíduos, aproximadamente. Dessa forma, observa-se que o impulsionamento de publicações e conhecimento de materiais confidenciais dos eleitores auxiliam o concorrente a dirigir a propaganda sufragista para um grupo específico e, dessarte, as mídias sociais influenciam o resultado da votação à Presidência.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Logo, cabe ao Governo Federal em parceria com as instituições legislativas promover a regularização das propagandas direcionadas nos ambientes virtuais e, além disso, o órgão público deve desenvolver um programa digital por meio da criação de páginas nos meios de comunicação cibernético com planejamento estratégico de linguagem popular a fim de permitir o conhecimento populacional sobre a manipulação de informações, marketing eleitoral e coleta de materiais sigilosos nas mídias sociais.