Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 16/10/2020
Em 1937 o chamado “Plano Cohen” que retratava sobre o falso golpe pelo Partido Comunista Brasileiro foi anunciado nacionalmente por meio do rádio, culminando, posteriormente, para o período ditatorial do Estado Novo. De maneira análoga, com a difusão da internet como maior veículo de comunicação do século XX, as redes sociais são usufruídas, muitas vezes, como meio de manipulação de assuntos políticos. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a má influência midiática e a falta de impunidade aos usuários que cometem tal conduta.
Cabe ressaltar, primeiramente, que a utilização errônea das mídias sociais influem decisivamente na consolidação do problema. Nesse viés, as redes sociais, que, a princípio, foram criadas com objetivo de entretenimento, acabam sendo palco para debates políticos, na maioria das vezes, com caráter manipulador sobre o internauta. Tal dinâmica é contrária ao que o sociólogo Pierre Bourdieu afirma em sua teoria, na qual explica que o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Assim, em um país em que, segundo o site Nexo Jornal, 7 em cada 10 brasileiros tem acesso à internet, o poder de coerção dessa mídia pode causar distorções na esfera política, tendo em vista o poder de comunicação que ela estabelece no país.
Além do mais, ressalta-se que a ausência de impunidade para os infratores que utilizam esse veículo para disseminar noticias falsas em prol de beneficiamento político, apresenta-se como outro forte empecilho para a resolução do empasse. Em face disso, Martin Luther King traz uma contribuição relevante ao defender que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”. Nesse contexto, uma matéria publicada pelo site UOL afirma que partidos e governos de 48 países utilizam as redes sociais como meio de manipulação da opinião dos internautas das redes sociais, tendo um crescimento de 20 países a mais na lista desde a última pesquisa ocorrida em 12 meses atrás. Por consequência, a ação desses grupos nessas plataformas acabam induzindo, infelizmente, um público cada vez maior.
É evidente, portanto, que a utilização manipulada das redes sociais para debates políticos configura-se como uma questão que necessita ser resolvida. Logo, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio de ferramentas de auxílio das redes sociais deve criar mecanismos de verificação da veracidade de tais notícias. Nesse sentido, o intuito da iniciativa é filtrar conteúdos que, possivelmente, tinham como objetivo adulterar informações, o que irá proporcionar, consequentemente, menor divulgação de notícias manipuladoras na esfera política