Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 16/10/2020

Governantes totalitaristas como os nazistas, utilizavam do controle da mídia, inclusive por meio de informações falsas, para conseguir apoio e identificação por parte das massas às suas ideologias. Na atualidade, percebe-se a ação de políticos, dessa vez por meio das redes sociais, elaborando fake news (notícias mentirosas) que são destinadas a milhões de pessoas, em períodos próximos que antecedem as eleições, na tentativa de ganhar apoio para suas candidaturas. Nessa perspectiva, processos como esses, de manipulação das redes sociais, vão contra a democracia instituída em nosso país, além de aproximarem a nação de movimentos que marcaram-se negativamente na história, como o nazismo.

Nessa ótica, a elaboração de informações falsas, que chegam aos eleitores em forma de notícias em suas redes sociais, acarreta-se numa situação de regressão do Estado democrático, levando essa problemática a um nível que não é só político. Para o filósofo Mario Sergio Cortella, a Ética é o conjunto de princípios e valores que usamos para responder a 3 questões: “quero?”, “posso?”, “devo?”, sendo que nem tudo que se quer, se pode, e nem tudo que se pode, se deve. Nesse sentido, percebe-se a prática da manipulação de notícias, utilizando-se das redes sociais, como uma questão ética, ligando-se num caráter cultural de quem a pratica.

Ademais, infere-se que processos que distanciam uma sociedade de um sistema democrático, deixam-na mais próxima de cenários ideológicos totalitários. Sabe-se que durante o regime nazista, seus praticantes utilizavam de informações levianas, elaboradas propositalmente para induzir à massa a se identificar e aderir aos pensamentos e práticas xenófobos. De maneira análoga, aqueles que utilizam as redes sociais para disseminar informações que fogem da realidade, a fim de beneficiarem-se em suas candidaturas eleitorais, aproximam, pouco a pouco, sua nação a um patamar distante do democrático.

Assim, é fundamental que o Supremo Tribunal Eleitoral, impeça a propagação de notícias falsas pelas redes sociais por parte de candidatos e partidos políticos, por meio de leis que permitam o bloqueio de contas que apresentem atividades de disseminação de fake news, impondo aos representantes das redes sociais, multas quando não executarem adequadamente os bloqueios aos praticantes da violação. Outrossim, é indispensável o desenvolvimento de propagandas, elaboradas para mídia televisiva e redes sociais, por parte da Justiça Eleitoral, que esclareçam as características de notícias  políticas mentirosas, além de desencorajarem sua disseminação. Para que assim, as redes sociais sejam usadas de modo ético, e contribuam para eleições que se encaixem numa nação democrática.