Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 16/10/2020

Na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, do autor português José Saramago, é narrada a história de uma epidemia de cegueira branca, a qual se espalha por uma cidade e causa um grande colapso na vida das pessoas, fato que compromete as estruturas sociais. Atualmente, não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange ao papel das redes sociais nas discussões políticas, visto que a sociedade brasileira parece não enxergar os impactos nocivos dessa questão. Assim, seja pelo modo coletivo de pensar, seja pela influência social, esse tema é uma grave questão social que precisa ser resolvida.

Em primeiro lugar, deve-se pontuar que o modo coletivo de pensar está entre as causas da problemática. Nesse sentido, conforme o trabalho do sociólogo francês Émile Durkheim, o fato social consiste em instrumentos sociais e culturais que determinam a maneira de refletir, agir e sentir na vida de um indivíduo, obrigando-o a adaptar-se às regras da sociedade. Sob essa égide, verifica-se que há, na atualidade, uma normalização da intervenção das redes sociais em eleições, isto é, uma parcela significativa da população considera normal tal acontecimento, questão que não apenas compromete o senso crítico populacional, mas também corrobora a permanência dessa conjuntura na contemporaneidade.

Além disso, a influência social também está entre as causas do problema. De acordo com John Locke, filósofo inglês, o ser humano é como uma “tabula rasa”, sem personalidade definida, sendo o meio responsável pela formação do caráter dos cidadãos. De maneira análoga a esse pensamento, nota-se a capacidade de dominância que as mídias sociais podem exercer sobre as eleições, uma vez que os indivíduos, eventualmente persuadidos por “fake news”, podem ter suas opiniões políticas alteradas — semelhantemente à metáfora de Locke — contribuindo, assim, para o rumo do pleito eleitoral.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário, portanto, que sejam tomadas ações para solucionar esse impasse. Posto isso, as mídias televisivas — como formadoras de opinião pública — devem veicular, em horário nobre, campanhas para sensibilizar a população quanto ao papel das redes sócias nas discussões políticas, por meio de propagandas transmitidas nos canais de televisão aberta, com a finalidade de mitigar os efeitos negativos da questão abordada. Desse modo, o contexto vivenciado será gradativamente minimizado e se distanciará da realidade narrada por Saramago.