Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 16/10/2020
Durante a Primavera Árabe, uma onda de protestos e revoluções ocorridas no Oriente Médio e norte do continente africano, as mídias sociais foram fundamentais para organizar e sensibilizar a população em face de tentativas de repressão e censura pelos estados, bem como reivindicar melhores condições sociais de vida. Contudo, vê-se no hodierno cenário brasileiro o uso das redes sociais com o intuito de alienar politicamente os cibernautas, consequência da disseminação de fake news e discursos apelativos, contribuindo para o enfraquecimento do senso crítico e social do corpo brasileiro.
A priori, é válido ressaltar que, no século XXI, o cibermundo se tornou o principal local de difusão de informações e opiniões, pela alta taxa de acessibilidade. Nesse sentido, partidos e figuras políticas veem a oportunidade de se promoverem tendo como ponte as fake news. Assim, estas são responsáveis pela propagação, em ritmo exponencial, de desinformações aos 46% de eleitores usuários de redes sociais, segundo pesquisa realizada pela revista Tema. Essa parcela de votantes ativa na rede é bombardeada com centenas de notícias de caráter falsamente elucidativo, sendo inconscientemente moldados politicamente, refluindo o direito à liberdade de escolha de seus representantes públicos.
Segundamente, assim como foi usado o Departamento de Imprensa e Propaganda, por Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, o marketing político é permeado de discursos apelativos, de caráter autoritário e manipulador. É muito comum internautas receberem em seus Whatsapps, fonte de informação usada por 83% destes, segundo pesquisa da instituição DataSenado, correntes de engajamento político, exaltando figuras extremistas com falas veladas de ódio, que ao se repetirem constroem na mente das pessoas falsas verdades, com ilusórias e utópicas propostas. Desse modo, dá-se continuidade à manipulação das massas e, como efeito, indivíduos mal-intencionados assumem cargos importantes na esfera pública, colaborando com a degeneração dos regimes democráticos.
Infere-se, portanto, que providências sejam tomadas para desmistificar o papel das redes sociais nas discussões políticas. O Ministério da Educação deve implantar no calendário público federal a obrigatoriedade do ensino de filosofia e sociologia política para os alunos, com o objetivo de desenvolver no eleitorado uma reflexão mais aprofundada dos aspectos relacionados aos interesses púbicos. Com isso se impedirá a total subversão das pessoas para com o bombardeamento informativo nas redes sociais. Somente assim será possível alcançarmos o patamar de Estado Democrático de Direito, com cidadãos possuidores de ideais saudáveis e progressistas, formadores da “Primavera Brasileira”.