Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 16/10/2020
John Locke, filósofo empirista, defende a teoria da “tábula rasa”, que discute uma ideia a qual os indivíduos nascem sem informações e as adquire ao longo da vida, pelos experimentos - o que pode ser compreendido pela metáfora do papel em branco, sem pauta, que é preenchido conforme as reflexões. A partir desse conceito, ao trazer para o fenômeno da atualidade, é notório que diariamente estamos dispostos ao preenchimento dessa folha. Sendo assim, assuntos de interesse múltiplo na sociedade, como a política, recebe destaque nas plataformas, devido ao espaço de ampla interação nas redes sociais e a necessidade social de se posicionar.
À priori, vale ressaltar que desde a Revolução Industrial, a tecnologia tem recebido grandes investimentos. Ao passar dos anos, os avanços tecnológicos permitiram a criação de redes como o Facebook, que hoje é um dos negócios mais bem avaliados economicamente no mundo. Essa valorização é concebida justamente pelo espaço, nunca visto antes, de conexão com o outro, independentemente de sua distância geográfica, justificado pelas: publicações instantâneas, interações atemporais, propagandas, diversidade, entre outras. A plataforma, por exemplo, ocupa um lugar de importância em discussões políticas, o que possibilita a divulgação de interesses e um enfrentamento aos posicionamentos distintos, por meio de compartilhamento de ideias, que exclusivamente em 2018 foram extremas.
Ademais, devido a esse espaço, que na teoria é privado ao usuário, se faz público. Essa questão, é vista pela proporção que algumas publicações ganham, já que pode chegar a um engajamento alto, com milhares de perfis. Dessa forma, hoje, dificilmente haverá um usuário que não publique sobre seus interesses. No entanto, durante as eleições no Brasil, devido a grande diversidade do país, os lados ganharam uma representação muito dividida, de forma generalizada: um lado um grupo de conservadores que conseguiram alcançar votos de vítimas da violência brasileira, e no outro, grupos de pessoas que defendiam a diversificação, a liberdade de identidade e a inclusão social. Estes, em suma, não queriam eleger uma figura presidencial que dotava de discursos preconceituosos. Portanto, o espaço virtual foi fundamental para debater e persuadir os antagônicos.
À frente desse contexto, fica claro que o conceito de Locke tem espaço na contemporaneidade, já que os agentes externos influenciam a formação de conhecimento, especialmente com a vasta conexão que a internet possibilita. Sendo assim, é necessário que a Mídia filtre os posts e conecte o público com diferentes discursos, por meio de investimento em algorítimos inteligentes, a fim de não causar alienação e evitar a propagação de fake news. Logo, um ambiente interativo e democrático a todos.