Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas
Enviada em 08/11/2020
Redes sociais: a nova propaganda eleitoral?
No episódio “The Waldo Moment”, da série “Black Mirror”, é retratada a história de um comediante que fez sucesso na interweb ao ofender candidatos ao Parlamento inglês. Nesse sentido, a trama foca na trajetória do personagem que deixa de ser um simples questionador do sistema de governo bretão e passa a participar da corrida eleitoral, motivado pelo apelo do público que conquistou. Fora da ficção, a realidade apresentada pelo seriado é relacionada ao mundo atual, visto que as redes sociais vêm ganhando espaço nas discussões políticas. Sendo assim, faz-se mister compreender como a internet propulsiona a formação de mártires nacionais e consolida a polarização política no âmbito global.
Em primeiro plano, é imperioso entender como o ciberespaço facilita a adoção de um discurso que caracterize parte das figuras públicas como heróis nacionais. Diante disso, menciona-se Zygmunt Bauman, o qual afirma que a sociedade moderna é pautada em fluidas relações sociais. Dessarte, o sociólogo expõe o individualismo crescente no corpo social, característica que simplifica o credo do leitor em algo que lhe convenha do que em verdades contrárias a respectiva convecção. Assim, muitos estadistas manifestam-se, frequentemente de forma mentirosa, nas redes, a fim de manipular o eleitor a acreditar que eles são verdadeiros mártires que lutam pelo povo contra a maldade dos demais.
Somado a isso, as plataformas digitais acentuaram o discurso de ódio motivado por divergências políticas. Analogamente à trama exibida pela série “Black Mirror”, percebe-se uma crise governamental global que ameaça a integridade das populações e estimula a ascensão de líderes radicais e propagadores da aversão ao vigente. Esse fato ocorre porque esses governantes aliam a velocidade e liberdade das redes à desmoralização do Estado, com a finalidade de difundir sermões de oposição e de combate feroz a todos os demais estadistas. Logo, uma polarização política constitui-se e configura um atentado contra a democracia, já que se prioriza a agressão ao debate e à troca de opiniões.
Portanto, medidas hão de ser tomadas, a fim de atestar o uso saudável das redes socais nas discussões políticas no Brasil. Primeiramente, a Secretaria de Direitos Humanos precisa demarcar os limites da liberdade de expressão no ciberespaço, o que reforçará projetos que lutam pelo respeito na internet, como o “Nas redes sociais, diga o que pensa…sem ofensas”. Isso será possível por meio da parceria com a Secretaria Especial de Comunicação Social e assegurará o diálogo no âmbito político do país. Ademais, empresas administradoras de plataformas digitais, a partir da cooperação com a mídia, devem aprimorar a detecção de notícias falsas publicadas, conforme já faz a ação “Fato ou Fake”, do G1. Desse modo, garantir-se-á o melhor uso da tecnologia, como alertado em “The Waldo Moment”.