Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 22/12/2020

O documentário “O dilema das redes”, da Netflix, expõe que a maioria das redes sociais usam seus usuários como “cobaias” quando, sucessivamente, os submetem a testes de conteúdo, que informam aos criadores do aplicativo, dados como: o tempo que o internauta utiliza a plataforma, quanto tempo o mesmo passa vendo uma foto, que tipo de conteúdo ele prefere, entre outros. Entretanto, na contemporaneidade, é notável que as redes sociais são usadas como veículos de influência, promovem campanhas políticas, discursos de ódio e, uma vez que esses dados são registrados, o algoritmo passa a gerar ao navegante, mais publicações baseadas naquelas que ele compartilhou.

Em primeiro lugar, é importante destacar as causas que influenciam nessa questão. De acordo com o pensamento de Sófocles, “Nada grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição”. Analogamente, nota-se uma polarização na sociedade baseado em ideias dissemelhantes, opiniões políticas no contexto atual que, gradualmente, afetam seus elos afetivos, tudo isso por conta da internet, suas redes socais e a liberdade que elas querem que seus consumidores sintam ao usá-las.

Por conseguinte, nota-se que as redes sociais usam algoritmos que induzem seus usuários a, cada vez mais, verem e compartilharem de ideias que condizem com as suas próprias, fazendo com que eles não tenham acesso a novas informações, nem a meios de comunicações diferentes das quais estão acostumados a consumir, entrando assim no que se chamam “bolhas sociais”, onde consumem aquilo que lhes satisfazem, veem apenas o que lhes agradam e ficam presos a um ciclo de persuasão e influência.

Portanto, faz-se necessário medidas que evitem que a sociedade continue presa a esse ciclo, que detenham notícias falsas de serem compartilhadas e que abrangem o acesso à diferentes veículos de informação, garantindo que o brasileiro tenha informações mais estruturadas. Torna-se evidente, portanto, a necessidade de elaborar propostas de intervenção para o combate à polarização da sociedade e discurso de ódio no Brasil. O estado, por meio do Ministério da Comunicação, deve investir em medidas que combatam a propagação de notícias falsas nas redes sociais e que evitem que seus usuários sejam sempre alvejados por notícias que as convém. As redes sociais podem também, por meio da sua influência midiática, promover informações sobre o algoritmo, o suficiente para alertar seus usuários que nem tudo que é lhes mostrado, é toda a verdade, e nem tudo que é visto tem mais de um ponto de vista.