Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 06/04/2021

“Vive-se um período de liberdade ilusória, pois o mundo digitalizado possibilitou novas formas de interação com o conhecimento, mas também abriu portas para a manipulação”. De fato, as palavras do polonês e filosofo Zigmunt Bauman se fazem juz à realidade hodierna, principalmente ao se analisar o papel das redes sociais nas discuções políticas. Nesse prisma, observa-se que essas ferramentas de interação virtual estão sendo mau utilizadas, tanto para a disseminação de notícias falsas quanto para construir um ambiente político de desavenças. Logo, esse cenário se mostra ameaçador para uma boa harmonia política, sendo necessário mitigá-lo.

Primeiramente, da mesma forma que o clientelismo marcou uma das primeiras maneiras ilegais de coerção do século xx, as redes sociais se mostram hoje como uma via para o clientelismo mundial. Nessa perspectiva, semelhante ao método utilizado pelos governantes na república oligárquica, muitos partidos políticos usam as redes para ganharem apoio de forma suja. À vista disso, vale ressaltar, por exemplo, a divulgação de notícias falsas que, muitas vezes, servem para depreciar o denegrir a imagem de concorrentes nas eleições. Apenas em 2020, o Ministério Público decretou a apreensão de quase quatorze mil arquivos que continham mentiras e difamações para serem divulgados, com o fito de se propagar uma imagem ruim de alguns ministros.

Por outro lado, segundo Paulo Freire, em seu livro " pedagogia do oprimido" é necessário buscar uma cultura de paz. Todavia, as pessoas querem cada vez mais causar uma condição de discória na política, o que é algo abominável e ruim. Sob tal perspectiva, ao contrário do que propunha Freire, alguns usuários das redes sociais postam conteúdos fomentando conflitos entre dois candidatos ou partidos. Além disso, a apresentadora Fátima Bernardes chamou atenção de um candidato a participar do seu programa, quando ele disse que apreciava os conflitos no meio político. Isso demonstra o lado hediondo do ser humano de querer a discórdia alheia.

Portanto, é necessário fazer das redes sociais uma ferramenta que viabilize a paz política. Posto isso, urge que o poder público, com o auxílio do legislativo, reforçe a fiscalização para a veiculação de informações falsas na internet, de modo a excluir esses tipos de postagens e caçar os divulgadores, a fim de aplicar uma penalização mais severa, como multas e reclusões. Ademais, o Governo Federal, com seu caráter socializador e como provedor da paz, precisa anular qualquer conteúdo das redes sociais que estiguem a desavença e o transtorno político, por meio de uma análise mais cuidadosa da atividade dos usuários de redes sociais, a fim de se desfaser qualquer cenário conflituoso nesse meio. Assim, mais um passo será dado para se alcançar a harmonia política.