Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 11/10/2021

O escritor brasileiro Luis Fernando disse que “no Brasil, o fundo do poço é apenas uma etapa”. Esse aforismo pode parecer piada, mas infelizmente é cada vez mais real. Tal panorama se comprova, por exemplo, na constatação que a população sofre, na contemporâneidade, com o papel das redes sociais nas discussões políticas. Assim, é verídico afirmar que essa preocupação é consequência de duas “etapas” da precária formação cidadã do país: a incompetência pública e a negligência familiar.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o aumento de notícias falsas e sensacionalistas deriva da baixa atuação dos setores governamentais na esfera educacional, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a desinformação mediante a assuntos meritórios causa múltiplas adversidades aos candidatos, o que pode prejudicar além da sua imagem, a sua candidatura. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Outrossim, é imperativo ressaltar a indiferença em relação a família como promotora do problema. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as relações sociais se liquefizeram no mundo globalizado, o que resultou na redução dos laços afetivos das comunidades. Partindo desse pressuposto, inúmeras famílias, por não possuírem esses vínculos, acabam por abandonar e não conversar com os filhos, deixando-os vulneráveis a situações com discursos de ódio, preconceitos e influências negativas na mídia. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o descaso parental contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Depreende-se, portanto, de medidas necessárias para resolver esse impasse. Dessarte, com o propósito de de mitigar o cresce número de notícias falsas, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Estado será revertido em maiores investimentos no meio educacional, através de palestras e anúncios conscientizadores de modo em que a sociedade, em especial famílias com jovens, entendam a problemática do caso. Além disso, a parentela deve ficar em vigilância constante no que menores estão entrando em contato. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo dos relatos adulterados, e o discurso de Luis Fernando torna-se apenas uma anedota.