Eleições 2018: o papel das redes sociais nas discussões políticas

Enviada em 15/11/2021

“Nada é permanente, exceto a mudança”, observara o filósofo grego Heráclito. Ao analisar a trajetória humana nos últimos séculos, verifica-se que a conclusão do pensador permanece correta, de modo que as mudanças, além de ocorrerem com maior frequência, tornaram-se mais impactantes. Nesse contexto, nota-se que o surgimento de tecnologias disruptivas - como a internet - propiciaram transformações abruptas, sendo uma delas no âmbito eleitoral, decorrente do uso das redes sociais, em prol da manipulação da opinião pública.

Em primeiro plano, cabe mencionar que o papel desempenhado pelas redes sociais, a fim de controlar o senso comum, é um desdobramento de estratégias eleitorais utilizadas desde meados do século XX. Nesse aspecto, é valido citar a obra de Walter Lippmann, escrita em 1922, denominada Opinião Pública, visto que tal publicação é considerada a propulsora das campanhas eleitorais modernas. Assim sendo, deve-se ponderar que o autor demonstra que a opinião pública é resultado da evolução dos meios de comunicação, pois, a partir do momento que os cidadãos estão sujeitos a um grande volume de informações, os mesmos tornam-se manipuláveis, de modo a criar uniformidade entre as opiniões, com o fito de promover o senso comum.

Em segundo plano, vale ressaltar que as redes sociais, por possuírem características como a anonimização e o enorme alcance populacional, tornaram-se uma ferramenta de baixo custo e alta eficiência. Devido a tais características, os meios de comunicação virtuais fomentaram a ascensão de políticos demagogos que, ao disseminarem notícias falsas de cunho sensacionalista, passaram a agitar as discussões políticas com pautas reacionárias. Nesse sentido, nota-se que o compartilhamento de notícias falsas fomentou a elevação de crenças pessoais ao patamar de fatos, em decorrência da não certificação de fontes acerca da veracidade, sendo este fenômeno conhecido por pós-verdade.

Portanto, percebe-se que os procedimentos eleitorais sofreram transformações drásticas pelo incremento da tecnologia, de tal sorte que medidas devam ser tomadas para coibir o agravamento dos fatores negativos. Dessa forma, faz-se imprescindível que o Superior Tribunal Eleitoral (STE) amplie o seu campo de fiscalização, a fim de garantir a transparência das eleições, a partir do rastreamento de fontes disseminadoras de notícias falsas, em prol de punir os responsáveis. Além disso, torna-se fundamental que o Governo Federal, em parceria com as companhias tecnológicas, inibam a proliferação de discrursos de ódio, por meio da exclusão de postagens falsas, de cunho sensacionalista, além da exclusão da conta, somada a pena de reclusão daquele que fomentar esse tipo de prática, com o objetivo de assegurar eleições democráticas e honestas.