ENEM 1999 - Cidadania e participação social

Enviada em 25/09/2019

A Constituição Federal (CF), promulgada em 1988, estabelece direitos e deveres aos cidadãos brasileiros. Entretanto, observa-se a ineficiência na aplicação dessa prerrogativa ao se constatar frequentes incivilidades praticadas por indivíduos que pouco se importam com o bem-estar da coletividade, a exemplo das infrações cometidas no trânsito, do uso de cigarros em locais proibidos e do descarte de resíduos no chão ou em locais indevidos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema, em decorrência da falta de cidadania e da frágil base educacional brasileira.

Segundo São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. Sob esse viés, a tese do teólogo está inerente à realidade brasileira, no que tange aos diversos impactos decorrentes das incivilidades praticadas cotidianamente, visto que a falta de cidadania e o individualismo dos infratores os impedem que se preocupem com as consequências de seus atos. Outrossim, as ações irresponsáveis - cometidas por alguns - geram prejuízos para toda a coletividade, pois sobrecarregam e oneram os serviços públicos, os quais são necessários para reparar comportamentos nocivos ao bem-estar social. Por exemplo, o recolhimento de resíduos e bitucas de cigarro das vias públicas geram enormes custos aos cofres públicos, que não são ressarcidos por aqueles que cometem as infrações.

Ademais, outro ponto relevante, é a frágil base educacional brasileira, que pouco trata de assuntos como cidadania e convivência em sociedade. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Sob essa lógica, é possível compreender que, se as pessoas não têm acesso à informação qualificada acerca dos impactos que pequenos atos individuais e nocivos podem trazer à sociedade, sua visão será limitada, o que contribui para a persistência do problema. Por isso, é imprescindível que a educação básica extrapole a base curricular e contribua para que os jovens reflitam sobre responsabilidade cidadã, a qual é fundamental para a redução das incivilidades praticadas hodiernamente.

Portanto, medidas são necessárias para manter o bem-estar coletivo e individual na sociedade brasileira. Desse modo, o Ministério da Educação deve promover palestras e oficinas lúdicas nas escolas, por meio de profissionais especializados, com a finalidade de informar e demonstrar aos alunos, pais e responsáveis as consequências que condutas imprudentes e inadequadas podem refletir na sociedade e nos serviços públicos. Assim, espera-se que essas atividades estimulem, no cidadão, a percepção do seu papel na coletividade e favoreçam a aplicação efetiva da Constituição Federal, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.