ENEM 1999 - Cidadania e participação social
Enviada em 16/05/2021
Não compreensão dos problemas sociais e ativismo de sofá
No filme “Procurando Nemo”, produzido pela Pixar Animation Studios, é apresentada uma relação de superproteção entre Marlin, o pai, e Nemo, o filho, em que o filhote de peixe-palhaço é impedido de conhecer e enfrentar os problemas e perigos do fundo do mar. De forma semelhante, na vida humana, pais e filhos muitas vezes entram em conflito por conta de uma tentativa de proteção exacerbada, que pode resultar em uma falta de entendimento de mundo e dos problemas sociais por parte dos filhos. Dessa forma, diversos jovens não compreendem os problemas sociais e não engajam nessas causas.
A princípio, nota-se que a superproteção familiar afasta crianças e jovens de vivenciar e aprender sobre a sociedade humana. Nesse contexto, devido à falta de conhecimento, muitos não têm noção dos problemas e desigualdades sociais existentes, logo, não exercem sua cidadania, dado que isso não ocorre por falta de interesse, mas sim por não por conhecer-se a necessidade da participação social. Tal cidadania pode ser exercida em contribuições dentro de seu próprio bairro e, prova disso, é a Teoria do Balde Furado, em que se consome dos comércios locais para fortalecer a comunidade, de modo a manter a renda no local. Desse modo, jovens podem contribuir para a prosperidade de sua comunidade.
Além disso, um fator agravante é a prática exclusiva do ativismo de sofá, visto que não resulta em soluções concretas e, muitas vezes, é utilizada apenas como forma de manter a aparência para os demais. Essa prática consiste em manifestações e protestos sociais através das redes sociais, entre os quais, divulgações de imagens e vídeos, publicações e petições online podem ser citadas. Em síntese, tais ações têm poder político e podem influenciar pessoas que estão inseridas em um mesmo contexto social, entretanto, manifestar-se de forma restrita às redes sociais não causam o mesmo impacto que ações realizadas fora delas e que não visam à aparência.
Portanto, para combater a falta de execução da cidadania dos jovens e acentuar a participação social fora das redes sociais, algumas ações são essenciais. A princípio, o Governo, por meio do Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Cidadania, deve investir em um Projeto de Participação Social para alunos dos ensinos fundamental II e médio, com aulas teóricas e práticas inseridas ao longo dos anos escolares, com o intuito de ensinar como participar socialmente e, consequentemente, evitar a desinformação. Ademais, a promoção de manifestações não exclusivas às redes sociais deve ser feita por ativistas sociais.