ENEM 1999 - Cidadania e participação social
Enviada em 16/05/2021
O documentário “Quem se importa”, roteirizado e dirigido pela Mara Mourão, aborda o empreendedorismo social e sua capacidade como ferramenta solucionadora de problemáticas sociais. Sob essa ótica, conclui-se, a importância fundamental do exercício da cidadania e da participação na sociedade, e é preciso ressaltar que todos usufruem de direitos, mas saibam que possuem deveres. Atrelado a isso, existem obstáculos que impedem um maior ativismo por parte da população, entre eles, a paternidade superprotetora, que dificulta o desenvolvimento de jovens participantes, e o individualismo disseminado, o qual distancia os problemas daqueles que não sofrem com eles.
Em primeiro plano, para que se tenha uma nação mais ativa nas causas político-sociais, indubitavelmente, não se pode cobrar tais ações de súbito, dado que, a maior parte do povo é pouco engajada nesses assuntos, seria uma força contraproducente exigir tais participações. Portanto, isso deve-se começar pela base, mostrar aos jovens o poder de transformação do protagonismo juvenil, incentivá-los a fazerem a diferença enquanto cidadãos, assim gerando no futuro, uma maior participação social proveniente de todos. Todavia, existe um empecilho, como bem ilustra a animação da Pixar, Procurando Nemo, atualmente os pais são muito controladores, consequentemente, criam uma grande dependência em seus filhos, que posteriormente, tem dificuldade em tomar as próprias decisões e constantemente buscam por aprovação, o que impede os seus papéis ativos na sociedade.
Ademais, numa sociedade pautada no individuo, com enfoque nos ganhos pessoais, não é de difícil conclusão que o coletivo pagaria o preço, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, com a expansão da modernidade líquida, existe uma fragmentação da vida humana, deixa-se de pensar em termos de comunidade o que restringe os propósitos do cidadãos, não se enxerga motivos para trabalhar em prol do bem comum, já que não se tem uma recompensa direta por atos altruístas. Somado a isso, a popularização do liberalismo afirma a liberdade individual, e assegura ainda mais o individualismo, consequentemente, perde-se a importância da cidadania, o egoísmo impede que a população se importe com causas que não as suas próprias, tudo aquilo que não acontece com os próprios indivíduos não compete a eles.
Em síntese, para que as pessoas vejam a importância de serem cidadãos e os obstáculos supracitados sejam contornados, certas medidas são essenciais. Desse modo cabe ao Poder Executivo, promover campanhas, por meio do Ministério da Educação e da Cidadania, para conscientizar a população da importância de participar e priorizar o coletivo social, assim melhorando a situação para todo indivíduo. Igualmente, fica a incumbência das famílias, que eduquem jovens questionadores e ativos socialmente.