ENEM 1999 - Cidadania e participação social

Enviada em 18/05/2021

Segundo o dicionário Dicio, cidadania é a condição de quem possui direitos civis, políticos e sociais, que garante a participação na vida política. Nesse sentido, espera-se que todos os indivíduos ajam continuamente nos ambientes sociais, trabalhando a cooperação e o trabalho em grupo. Dado que o princípio básico do estado de consciência humana é: “Todo mundo pode mudar o mundo”, é necessário que cada indivíduo faça sua parte, possibilitando assim, resultados efetivos. Desse modo, faz-se necessário analisar os obstáculos que impedem uma participação social completa de todos os cidadãos; a superproteção dos pais e o comodismo.

Em primeiro plano, atualmente nota-se constantemente a apreensão dos filhos sob a superproteção dos pais, o que os impede de alçar voos significativos em sua vida e adia o exercício de seu próprio protagonismo. Nesse sentido, a animação “Procurando Nemo” retrata Marlim, um peixe que é um pai apreensivo com o bem-estar do filho, impedindo-o de conviver intensamente com outros peixes e barrando sua liberdade no meio social. Assim, constata-se que, mesmo essa situação refirindo-se a um desenho, esse comportamento parental é uma crítica à realidade, com essa situação sendo muito presente nas famílias contemporâneas. Assim, os filhos desses pais muito protetores vão ter um crescimento impedido ou retardado de seu protagonismo individual, não agindo intensamente no meio social.

Ademais, o individualismo por escolha ou a atitude de agir em prol apenas de benefício próprio são atitudes habituais e que, infelizmente, estão muito presentes na sociedade. De acordo com o documentário “Quem se importa”, as pessoas que se acomodam em casa e acreditam que apenas compartilhar um vídeo ou seguir usuários caritativos realmente ajuda, são chamados de “ativistas de sofá”, indivíduos que não tem um protagonismo social efetivo. Nessa óptica, as redes sociais trouxeram um comodismo a essas pessoas, ajudando-as a acreditar que isso é suficiente para mudar o mundo, quando na verdade, as reais mudanças sociais não funcionam quando isoladas de ações concretas.

Por conseguinte, é mister que o Estado tome providências para que essa realidade tão frequente na atual sociedade não se torne permanente. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que aconselhem os usuários sobre as consequências positivas de um trabalho ativo na sociedade, não somente online, do sofá, mas principalmente aquele que é presencial. Enfim, o interlocutor será sugestionado a criar o hábito de participar de ações comunitárias e sociais, exercendo e aprimorando seu protagonismo individual.