ENEM 1999 - Cidadania e participação social
Enviada em 17/11/2021
Na saga “Harry Potter”, os bruxos a partir de certa idade são direcionados à escola de bruxaria para promover novas percepções de mundo, auxiliando na formação de feiticeiros integrantes da realidade crítica do mundo mágico. Nesse sentido, Harry Potter sofre, ao decorrer dos contos, com a dinâmica de diferenças culturais e sobrenaturais dos grupos da instituição, o que auxiliou na sua formação individual na sociedade de magia. Fora da ficção, porém, a cidadania e participação social é negligenciada, reproduzindo realidades que denigrem as ações representativas. Desse modo, torna-se necessário apontar que as relações de poder e as desigualdades sociais são resultados desse problematico paradigma.
Em primeiro plano, a falta de atuação política reforça meios de controle. De acordo com o filósofo Michel Foucault, o poder é articulado por meio das relações sociais, corroborando coerções e alienações. Partindo dessa lógica, a supressão de inclusão participativa no meio social - como a política, por exemplo- ocasiona a permanência de minorias que atuam no processo de controle das decisões das comunidades, o que permite a imposição de visões de mundo. Como consequência, ocorre a reprodução de indivíduos com precário senso crítico, tornando inexistente a cidadania, visto que a equidade social é fator necessário à democracia.
Ademais, fatores socioeconômicos contribuem como obstáculos à participação social. Segundo Gilberto Dimenstein no livro “O Cidadão de Papel”, os direitos constitucionais não são efetivamente transmitidos à coletividade, o que produz cidadanias ilusórias, as quais negam o exercício do poder. Sob essa viés, o Poder Público, ao negligenciar as metodologias econômicas de cada região do país, impede o desenvolvimento político, já que condiciona métodos fixos de administração e planejamento dessas regiões. Dessa forma, a paridade social é impedida e ocorre o progresso da estratificação na atividade cidadã, procriando métodos segregacionistas.
Assim, medidas tornam-se cruciais para ampliar a cidadania. Primeiramente, Ong’s e a sociedade civil organizada, por meio de protestos, devem pressionar o Estado - como o legislativo e o poder executivo- a remodelar as metodologias administrativas dos bairros, ofertando maior liberdade no concerne ao controle das políticas públicas, levando em conta a vivência regional. Além disso, as Ong’s devem formentar planos educativos - por meio de cursos através das ciências humanas- referentes à importância da atividade política e suas perspectivas para mudar as condições das famílias. Logo, com o objetivo de transformar a metodologia cidadã vigente, assegurando a plena partição, direcionando novos moldes sociais ligados ao crescimento social - como ocorreu em “Harry Potter”.