ENEM 1999 - Cidadania e participação social
Enviada em 02/02/2022
O romance filosófico “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma civilização perfeita e ausente de problemas. Entretanto, tal obra fictícia não converge com a realidade contemporânea, visto que a invisibilidade e o registro civil, como forma de garantia de cidadania no Brasil, apresentam barreiras para a concretização do que o autor prega. Diante disso, é crucial analisar as causas do revés, como a negligência governamental e a omissão midiática.
A princípio, é fulcral pontuar que esse imbróglio deriva da baixa atuação de medidas governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Sob esse viés, o filósofo Thomas Hobbes afirma que o Estado é responsável pelo bem-estar da população. No entanto, isso não ocorre no corpo social brasileiro devido à falta de investimentos públicos em um programa que fiscalize as pessoas sem uma documentação civil, bem como não dão auxílio financeiro para os indivíduos de menor poder aquisitivo. Decerto, consequentemente, a ausência desse serviço faz com que mais indivíduos fiquem sem identificação, conhecido como um inexistente. Logo, é perceptível que esse comportamento estatal corrobora, de modo danoso, a perpetuação desse quadro.
Outrossim, é válido ressaltar a despreocupação dos veículos midiáticos como impulsionadora dessa problemática. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, as redes sociais podem ser boas, mas também uma ameaça. Nesse sentido, nota-se que meios de comunicação não se preocupam com o registro civilizado da sociedade, pois não informam a nação sobre a importância de ter um documento de identificação. Além disso, eles não divulgam acerca das consequências da carência desse importante mecanismo de identidade, como não poder frequentar o colégio. Destarte, fica nítido que esse cenário deve ser revertido.
Portanto, é necessário combater esses obstáculos. Para isso, cabe ao Governo Federal, órgão responsável por gerir e por organizar a sociedade, criar um programa de assistência de identidade e de apoio financeiro para os indivíduos que não podem pagar pelo registro civil, por meio de verbas públicas, a fim de mitigar a invisibilidade de identificação. Assim, poder-se-á efetuar a “Utopia” de Thomas More na engrenagem social.