ENEM 1999 - Cidadania e participação social
Enviada em 04/05/2022
Durante o século passado, Stefan Zweig se mudou para o Brasil, fugindo de uma perseguição nazista na Europa. Impressionado com o pontencial de seu novo lar, Zweig escreveu um livro cujo título ainda hoje é repetido: “Brasil, país do futuro”. Entretanto, quando se observa os desafios no que tange à cidadania e a participação social no país, percebe-se que a profecia não saiu do papel, devido à falta de participação política e sua restrição à camadas mais privilegiadas da sociedade, o que acentua as desigualdades socioeconômicas.
Em primeiro lugar, é preciso ressaltar o significado de cidadania, que quer dizer a qualidade de ser cidadão e, consequentemente se sujeitar a direitos e deveres ditados pelo Estado. Um dos modos de colocá-la em prática, é através da paticipação nas decisões governamentais através do voto. Entretanto, a democracia no país não é valorizada, já que os desejos do povo não são priorizados, mas o de uma parcela específica.
Outrossim, segundo Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, é importante que haja o aprimoramento e aprofundamento da democracia brasileira. Na finalidade de que funcione para todos, não só para a elite desde sempre privilegiada pelo sistema. O Brasil hoje, um território com a sua população majoritariamente composta por mulheres e pretos, possui nos cargos de poder em sua maioria homens brancos. Dentre outros fatores, essa falta de participação de camadas sociais no poder, atrasa e impossibilita que ocorram mudanças e melhoras no cenário nacional.
Tendo em vista os argumentos supracitados, é necessário que o Governo Federal em conjunto com o sistema eleitoral, crie programas de incentivo ao voto, como palestras para a população periférica no intuito de conscientizá-los acerca da necessidade da participação social na democracia. Deste modo, haverá uma maior inclusão de grupos marginalizados nas escolhas e decisões da República brasileira, reduzindo também as desigualdades socioeconômicas. Sendo assim, a predição do filósofo Stefan Zweig estará mais próxima de se tornar concreta, e será uma prova de que suas esperanças no país não eram infundadas.