ENEM 2000 - Direito da criança e adolescente: Como enfrentar esse desafio nacional
Enviada em 08/05/2024
A obra “Meu pé de laranja lima”, de José Mauro de Vasconcelos, trata da história de Zezé, um menino que, por viver num lar com um pai negligente e violento, precisa criar um mundo fantasioso para se distrair e se proteger. Infelizmente, esse cenário não se resume apenas à ficção. No Brasil, milhares de denúncias são feitas mensalmente relatando algum tipo de violência contra jovens, sendo 84% dessas violências cometidas por seus próprios cuidadores. Essas agressões, que traumatizam com ainda mais intensidade crianças, geram impactos duradouros na vida destas. Dessa forma, torna-se essencial entender quais são esses impactos e de que forma os jovens lidam com esse tipo de abuso.
Ainda, segundo publicação do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), 26% das crianças vítimas de maus tratos têm menos de 5 anos. Esses maus tratos, porém, podem trazer diversos malefícios para os jovens, já que é na primeira infância que as pessoas desenvolvem suas personalidades, gostos, etc. Além disso, de acordo com a psicóloga infantil Ana Flávia, “crianças que foram expostas à indiferença, abuso, negligência e agressividade, podem buscar relações que se configuram da mesma forma”, colocando essas crianças, de certo modo, como reféns de um ciclo vicioso.
Ademais, a agressão infantil, além de criar um trauma na vítima por si só, pode acarretar em diversos outros problemas, já que a pessoa que sofreu o abuso procura meios de esquecer ou aliviar os efeitos da violência, seja através de meios como a dissociação, caracterizada pela desconexão da pessoa com a realidade, ou o abuso de entorpecentes, por exemplo.
Em síntese, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania criar campanhas que promovam a denúncia de casos de qualquer tipo de abuso infantil, a fim de proteger cada vez mais crianças, para que estas tenham uma vida segura e mais agradável. Cabe também ao Poder Legislativo criar leis e fazer fiscalizações mais eficazes em relação ao cumprimento dessas ordens, para que, aos poucos, esses casos de agressões diminuam e o público infantojuvenil sinta-se mais seguro onde quer que esteja.