ENEM 2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?

Enviada em 27/06/2020

A chegada dos portugueses ao território brasileiro foi acompanhada pela significativa extração do pau-brasil - árvore nativa que atraía os interesses dos europeus - e pela consequente devastação da Mata Atlântica. Não obstante esse período se encontrar distante cronologicamente do Brasil hodierno, percebe-se que essa herança lusa de exploração ambiental foi intensificada pelas elites econômicas ao longo dos séculos e prevalece na contemporaneidade. Nesse sentido, é primordial analisar a relevância, para as gerações futuras, de se preservar o meio ambiente, bem como os desafios provenientes da difusão de uma cultura de massa à população.

É imperioso ressaltar, a princípio, que a preservação ambiental constitui uma medida de caráter coletivo cuja importância está pautada na manutenção da qualidade de vida para as gerações subsequentes. Essa questão é ratificada pelo “Princípio Responsabilidade”, o qual foi postulado pelo filósofo alemão Hans Jonas e evidencia que o desenvolvimento econômico deve estar atrelado a uma ética de sustentabilidade que leve em consideração os desdobramentos individuais, coletivos e a curto e a longo prazos das ações humanas. Dessarte, nota-se que os avanços da economia devem ocorrer concomitantemente à consolidação de medidas que viabilizem a sobrevivência das gerações futuras.

Em contrapartida, denota-se que a difusão de uma cultura de massa a partir dos diversos veículos midiáticos corrobora a perpetuação de um paradigma de consumo exacerbado e fomenta uma grande demanda por matérias-primas. Tal fenômeno pode ser relacionado ao conceito de “Indústria Cultural”, que foi proposto por pensadores da Escola de Frankfurt e expõe que as grandes empresas tornam o gosto dos consumidores homogêneo por meio de propagandas, visando à disseminação do consumismo e à obtenção do lucro máximo. Por conseguinte, infere-se que a lógica capitalista de mercado supracitada prioriza o desenvolvimento econômico em detrimento da preservação ambiental, o que cria um contraste entre a realidade e o “Princípio Responsabilidade” de Hans Jonas.

Depreende-se, portanto, que a existência de uma cultura de massa constitui um impasse para a preservação ambiental. Posto isso, com vistas a desconstruir o paradigma de consumo exacerbado, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de parcerias com redes de televisão, campanhas publicitárias que deverão ser expostas nos intervalos das programações televisivas. Essa medida deverá explicitar a relação entre a homogeneização dos gostos individuais e a substancial demanda por matérias-primas, dando ênfase aos efeitos desse problema para as gerações futuras. Somente assim, poder-se-á promover o desenvolvimento sem devastar o meio ambiente, extinguindo a herança deixada pelos portugueses durante o período colonial.