ENEM 2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?

Enviada em 18/05/2021

No longa-metragem “Onde está a segunda?”, da Netflix, é retratado um futuro distópico, em que, decorrente dos impactos ambientais, a manutenção da vida na Terra é ameaçada. Nesse sentido, percebe-se que o desalinhamento do progresso econômico à preservação ambiental é prejudicial à humanidade. Portanto, com o objetivo de evitar a instituição de cenários como esse, devem-se conciliar os interesses em conflito, por meio do desenvolvimento sustentável e do estímulo à consciência ambiental dos cidadãos.

À luz dessa perspectiva, destaca-se a promoção do desenvolvimento sustentável, de acordo com o estabelecido na ECO-92, conferência realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), como forma de conciliar os desejos capitalistas e a manutenção da biodiversidade. Dentro desse prisma, segundo o sociólogo alemão Karl Marx, as relações econômicas regem e direcionam as sociedades, o “materialismo histórico”. Nessa linha de pensamento, sabido que o capitalismo prima pela lucratividade, se faz necessário, a fim de aliar sustentabilidade e economia, potencializar a eficácia dos processos produtivos, visando reduzir a extração de matéria-prima e o uso de água, por exemplo.  A partir disso ocorrerá o melhor aproveitamento dos recursos naturais e a mitigação dos impactos ambientais, consequentes da exploração desses.

Outrossim, menciona-se o fomento da consciência ambiental no âmbito escolar como fundamental à resolução da problemática apresentada. Isso porque, conforme ao filósofo francês Pierre Bourdieu, as escolas internalizam e reproduzem a conjuntura social e, consequentemente, os alunos. Sob esse pressuposto, consoante ao pensador, incitar o senso crítico dos discentes perante os problemas sociais, como a preservação ambiental, estabelece contexto ideal ao debate de novas de usar os recursos naturais. A exemplo, denota-se a ativista sueca Greta Thunberg, de apenas de 18 anos, a qual, mediante a escola, detém ciência dos desequilíbrios ecológicos e tem incitado a discussão sobre o desenvolvimento sustentável.

Em vista do exposto, evidencia-se a necessidade de conciliação dos interesses econômicos e dos ambientais. Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente exigir das indústrias brasileiras a maximização da eficiência produtiva, por meio da adição dessa diretriz à legislação ambiental do país, estabelecendo suscetibilidade de multa as descumpridoras dessa, com o fito de mitigar os impactos na natureza, decorrentes das atividades industriais. Além disso, cabe ao Ministério da Educação orientar os docentes a instigar o senso crítico dos alunos ante a problemática ambiental, por meio de uma cartilha, com o intuito de evitar o estabelecimento de cenários como o de “Onde está a segunda?”.