ENEM 2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?

Enviada em 17/05/2021

Na animação norte-americana “Wall-e”, são apresentados os dilemas que permeiam o consumismo exarcebado da humanidade. Nesse sentido, o robô Wall-e é uma máquina destinada a compactar o lixo do planeta terra. Inicialmente, a proposta era que os humanos vivessem em uma nave no espaço por alguns anos enquanto os robôs realizassem a tarefa de despoluir a terra, no entanto, muito tempo passou além do planejado. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na obra não se distancia do atual cenário de esgotamento do século XXI: gradativamente, a ausência de estudo a longo prazo sobre as consequências da lógica capitalista industrializada-que prima pela produção constante-tem intensificado o distanciamento do desenvolvimento aliado a sustentabilidade.

Em primeira análise, segundo a Constituição brasileira de 1988, no artigo 225 é descrito que a população tem o direito de ter acesso a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, e cabe a ela e ao Poder Público o dever de proteger e defender para as presentes e futuras gerações. No entanto, é notório que a coletividade e o Estado estão falhando em cumprir o que propõe a carta magna. Uma vez que, segundo dados da “Global Foot Print Network”, de 2016, a pegada ecológica total do Brasil-isto é, a contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo das populações humanas sobre os recursos naturais- aumentou 249%. Assim, observa-se que uma das mais ricas biodiversidades do planeta está ameaçada pelo emprego da produção exarcebada sem estudos dos impactos ambientais posteriores.

Somado a isso, ao se realizar um paralelo de comparação entre a ilha do livro “Utopia” - cenário idealizado por Thomas Morus, que mostra uma civilização perfeita, em que todas as engrenagens sociais funcionam perfeitamente e que não há anomias sociais - e o Brasil, conclui-se o paralelo de distopia em ascensão. Haja vista que, no país, a sustentabilidade não recebe a mesma importância que o desenvolvimento econômico. Tal qual, é revelado segundo dados de 2016, da “Global Foot Print Network”, os quais revelam que os recursos florestais brasileiros diminuíram 9% nos últimos cinquenta anos.

Portanto, com o intuito de diminuir as transgressões à carta magna do país, é fundamental apoio estatal e coletivo. Diante disso, cabe ao Congresso Nacional promover mais investimentos nas escolas- mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias- as quais realizarão palestras e debates com os alunos. Mediadas por ativistas ambientais, biólogos e climatologistas, abertas para pais e alunos, com o objetivo de transmitir a relevância de viver sem exageros de consumo para que se possa deixar um ambiente equilibrado para as próximas gerações.