ENEM 2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?
Enviada em 04/09/2021
No filme “Lorax”, evidencia-se o cotidiano de habitantes de uma realidade fictícia em que as árvores entraram em extinção por causa da ganância humana. Fora da ficção, é possível enxergar uma situação similar a essa, uma vez que inúmeros seres vivos sofrem com os malefícios da exploração ambiental exacerbada. Nesse sentido, em razão de reflexos históricos, os quais trouxeram sérias consequências, emerge um grave paradoxo: o desenvolvimento e a preservação do meio ambiente.
Diante desse cenário, vale destacar que um passado marcado pela ignorância reflete, diretamente, nas condutas de uma boa parcela da sociedade atual. Nesse viés, consoante o “hábitus”, de Pierre Bordieu, os indivíduos tendem a adotar determinados comportamentos, naturalizá-los e reproduzí-los ao longo das gerações. À vista disso, ao se analisar que a lógica positivista — quanto mais conhecimento, maior será o domínio do homem em relação à natureza — impregnou-se no intelecto coletivo, durante o século XIX, percebe-se que tal raciocínio ainda mostra seus resquícios na atualidade, haja vista as altas taxas de exploração ambiental. Assim, é de suma importância desconstruir essa visão naturalizada e banalizada da relação predatória entre ser humano e ecossistema.
Nesse contexto, é importante salientar que tal relação é altamente prejudicial aos outros seres vivos do planeta. Sob esse ângulo, conforme o princípio da responsabilidade social, de Hans Jonas, ser ético é basear suas ações com foco no coletivo e nas outras gerações. Sendo assim, ao se observar os resultados da atuação de vários povos, nota-se que eles não são éticos, uma vez que, além de prejudicarem a si próprios, afetam também muitas outras formas de vida. A exemplo disso, tem-se um dado disponibilizado pelo “Greenpeace”, no qual, durante os anos de 1970 a 1999, cerca de uma área equivalente ao território francês foi desmatado na Amazônia, o que, claramente, trouxe prejuízos ao bioma local. Logo, é mais que necessário que todos sejam éticos para promover um futuro melhor.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — deve organizar um projeto pedagógico, por meio de uma nova matéria na grade escolar, a qual mostre aos alunos os principais impasses do século XXI, como os impactos negativos ao biossistema. Diante disso, tal ação terá o intuito de tornar as novas gerações mais engajadas na luta por uma relação mais pacífica entre homem e meio ambiente. Por sua vez, a mídia, com as ONGs, precisa abordar mais esse assunto, por intermédio das redes sociais, como o YouTube, ao trazer eventos virtuais com membros do “Greepeace”, a fim de fazer a população ter consciência da gravidade da situação e, com isso, adotar um estilo de vida mais sustentável. Dessa forma, espera-se extinguir o paradoxo entre desenvolvimento e preservação ambiental, assim como garantir que a trama de “Lorax” seja apenas ficção.