ENEM 2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?

Enviada em 15/09/2021

“Pela união dos seus poderes, eu sou o Capitão Planeta!”. Nos anos 90, esse discurso do “Capitão Planeta” trazia esperança a cada brasileiro quanto à possibilidade de se usar tecnologias sem agredir o meio ambiente. Entretanto, no mundo real, aliar desenvolvimento e preservação da natureza é um objetivo que, até o momento, não foi alcançado. Urge, portanto, analisar como a busca pelo poder econômico e o individualismo contribuem para esse insucesso.

A princípio, o desejo pelo lucro sempre foi priorizado em detrimento de outras causas, como as ambientais, por exemplo. Desde a Revolução Industrial até os dias atuais, muitas nações converteram os recursos naturais em produtos e tecnologias, objetivando o enriquecimento. Esse perfil devastador, infelizmente, se mantém e a falsa empatia pelas questões ambientais é escancarada toda vez que um protocolo ou acordo de metas deixa de ser cumprido - o de Kyoto, a saber, fracassou. Assim, o capital se sobressai à preservação.

Ademais, o individualismo do homem contemporâneo é uma ameaça, tanto à natureza, quanto às gerações futuras. Nesse sentido, para muitos, a teoria da responsabilidade, defendida como primordial pelo filósofo alemão Hans Jonas, não importa, ou seja, o agir do homem hoje não considera as consequências para o meio ambiente e os indivíduos do amanhã. Logo, atitudes como jogar embalagens nas ruas ou trocar de smartphone todo ano (aumentando o lixo eletrônico) exemplificam que desenvolver, preservando, é um objetivo difícil de ser atingido.

Portanto, considerando como utópico uma mudança no perfil ambicioso das nações, impensável até em animações, deve-se focar em mudança comportamental. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente deve, por meio de comerciais midiáticos, estimular os brasileiros a adotarem atitudes sustentáveis, expondo, para isso, as consequências de práticas contrárias, no presente e no futuro. Assim, disseminadas as ideias de Hans Jonas, a natureza não será tão afetada pela inevitável busca do desenvolvimento.