ENEM 2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?
Enviada em 05/10/2023
A Agenda 2030 é um documento da Organização das Nações Unidas (ONU), o qual estabeleceu um conjunto de metas visando a construção de um mundo ideal. Sob esse viés, dentre os objetivos pontuados pelo órgão internacional, destaca-se a defesa da produção consciente associada à conservação das vidas terrestre e aquática. Entretanto, nota-se a sede humana pelo desenvolvimento entra em conflito com a necessidade de preservação do meio ambiente, sendo indispensável conciliar esses interesses mediante a criação de cidades sustentáveis e o diálogo com os povos indígenas.
Nesse viés, sabe-se que um dos caminhos para alcançar o progresso sem agradar o meio ambiente é a realização de reformas nos centros urbanos. Sob essa perspectiva, é preciso implementar, nas cidades, projetos simples e efetivos para minimizar problemas decorrentes do desenvolvimento das cidades, a exemplo das emissões de dióxido de carbono pelos diversos automóveis que circulam nas metrópoles. Diante disso, o urbanista Jaime Lerner - em sua obra “Acunputura Urbana” - defende a criação de uma cidade sustentável como um processo gradual e iniciado pela construção de ciclofaixas e faixas exclusivas para transportes públicos para incentivar a redução da utilização dos carros individuais. Dessa maneira, observa-se a possibilidade de conciliar desenvolvimento e preservação ambiental com o melhor planejamento das cidades.
Ademais, é notória a importância da participação da população indígena nos debates acerca desse tema, tendo em vista seus conhecimentos sobre os limites do ambiente. Nessa dimensão, é fato que as comunidades tradicionais estão entre as principais vítimas do processo de desenvolvimento predatório vigente no Brasil, visto que sua memória -materializada pela terra- tem sido ameaçada pelo “progresso”. Isso se evidencia, por exemplo, no discurso do líder yanomami Davi Kopenawa, o qual -no livro “A Queda do Céu”- classificou os “homens brancos” como o “povo da mercadoria”, fato que explícita o cenário de priorização do desenvolvimento em detrimento da vida. Dessa forma, esse cenário demonstra a possibilidade de a presença indígena nos debates ampliar a visão empresarial.