ENEM 2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?

Enviada em 31/10/2023

Segundo Grada Kilomba, sociedades coloniais capitalizam o meio em que se vive. Sob essa ótica, vê-se que tal premissa está associada ao desenvolvimento da sociedade e à preservação ambiental, visto que esses interesses são importantes para o progresso de uma nação. Nessa perspectiva, faz-se necessário analisar dois pontos acerca da problemática apresentada, que são o negligenciamento governamental e a ganância humana.

Nesse viés, primeiramente, é válido abordar a falta de atuação estatal presente na questão. Nesse âmbito, para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto à harmonia entre o avanço da sociedade e a conservação da natureza, já que a falta de ações de remediação, como o investimento em fontes de energia renonáveis, a exemplo da eólica e solar, do uso de biocombustíveis, que reduz a liberação de gases poluentes, e de sacolas biodegradáveis, perpetua o empecilho e não assegura uma boa qualidade de vida para a população. Assim, urge que o Poder Público saia da inércia em que se encontra.

Além disso, cabe analisar a ganância humana, que dificulta a conciliação entre os interesses em conflito. Nessa conjuntura, o conceito " Racionalismo Cartesiano", elaborado por Descartes, afirma que é através da razão que os seres humanos dominam a natureza e a utilizam como meio para o seu desenvolvimento. Dito isso, percebe-se que o domínio e a exploração do ecossistema, pontuados na concepção cartesiana, sujeitam o meio ambiente à condição de mero produtor de recursos que gerarão riquezas para a comunidade. Logo, nota-se que esse pensamento precisa ser revertido para que haja a preservação da natureza atrelada ao progresso do corpo social.

Portanto, é de suma importância que o Ministério do Meio Ambiente e a sociedade, como instituições de alta relevância para o país, criem estratégias para incentivar o uso adequado da natureza. Tal ação deve ocorrer por meio de programas direcionados à conscientização ambiental, com propostas de desenvolvimento sustentável feitas em concursos organizados pelo segmento estatal com a participação da coletividade,a fim de ter a conciliação desejada.