ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 19/10/2020

Durante a Ditadura Militar brasileira, na segunda metade do século XX, as eleições foram extintas, restringindo o exercício da democracia, sendo restabelecida apenas na década de 80 com o movimento ‘‘Diretas Já’’, o qual pedia eleição com participação popular. Apesar da Constituição de 1988 garantir o direito ao voto, hodiernamente é notório que grande parte da sociedade não o vê como forma de transformação da sua realidade. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ineficácia de propostas de públicas, quanto da ausência de consciência política.

Precipualmente, é fulcral pontuar que a estagnação de projetos públicos coíbe na descrença da população acerca da possibilidade de uma mudança efetiva. De acordo com a Lei da Inércia do físico Isaac Newton, um corpo em repouso tende a permanecer em repouso. Sob a mesma ótica, a impraticabilidade da concretização das promessas dos candidatos políticos após ganho eleitoral, fomenta o distanciamento dos cidadãos, uma vez que estas encontram-se tão somente impressas.

Ademais, é imperativo ressaltar que esse afastamento dos cidadãos é uma consequência direta da falta de consciência política. Essa situação é retratada no filme ‘‘As Sufragistas’’, onde a protagonista proletária, ao adquirir essa consciência pelo movimento sufragista, encontra no direito ao voto uma forma de mudar sua condição social. Dessa forma, somente pelo exercício da democracia e pelo conhecimento tangente aos direitos e deveres descritos na constituição, o indivíduo poderá discernir as propostas e medidas que acha cabível para mudar seu meio.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Faz-se necessário, pois, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na ampliação da educação política nas escolas, a fim de que os estudantes conheçam o que cada cargo político realiza, bem como os seus direitos e deveres presentes na constituição. Dessa forma, será possível estabelecer uma consciência política para que por meio do voto se concretize a transformação social, saindo assim, da inércia descrita por Newton.