ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 01/11/2020
Durante a Antiguidade, muitas sociedades eram governadas por meio de monarquias hereditárias, as quais as populações não tinham o direito de escolher seu representante político. Porém, como exceção, há o modelo de democracia ateniense, que permitia o direito ao voto, possibilitando que indivíduos considerados cidadãos participassem de decisões políticas da Cidade-Estado. Assim como em Atenas, e com o desenvolvimento e aperfeiçoamento desse sistema político, a conquista do direito ao voto no Brasil também significou um importante aparato na participação política. Entretanto, apesar dessa conquista, a necessidade de uma consciência política e maior fiscalização eleitoral são visto como um meio para que o voto também se torne um mecanismo de transformação social no país.
Primeiramente, é válido destacar a deficiência na abordagem de assuntos relacionados a política e valores democráticos no âmbito educacional no Brasil. De acordo com o pedagogo Paulo Freire, a educação muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo; entretanto, a falta de transformações efetivas na sociedade brasileira, sobretudo na esfera socioeconômica, evidenciam a ausência da atuação interdependente entre educação e a prática da cidadania. Esse cenário lamentável colabora diretamente com a não solidificação de uma visão crítica do cenário político que rodeia os cidadãos.
Consequentemente, essa carência de conhecimento a respeito da importância política e a falta de uma fiscalização totalmente eficiente abrem brechas para a manipulação eleitoral. Durante o período da “República Velha” no Brasil, esse mecanismo era conhecido como voto de “cabresto”, prática em que os coronéis utilizavam diversos meios para pressionarem os eleitores a votarem em um determinado candidato político. Apesar de antigas, essas ações ainda estão presentes nos dias atuais, especialmente em regiões de interior, e evidenciam uma falha nas instituições responsáveis por garantir a atuação de uma democracia plena e justa devido a invalidação do propósito de uma votação democrática.
Portanto, pode-se perceber que a falta de compreensão política e a ineficiência da fiscalização eleitoral dificultam a eficiência da cidadania e do poder do voto como mecanismo de transformação social. Dessa forma, é necessário que o Ministério da educação desenvolva projetos educacionais pautados no aprendizado político, com a contratação de profissionais capacitados. Esse programa deverá focar em concepções de cidadania e valores da democracia, com o intuito de despertar o interesse e conhecimento a respeito de um tema presente no cotidiano dos indivíduos. Somente assim será possível formar cidadãos conscientes da sua importância dentro de uma democracia, sendo capazes de combater a manipulação e exercer de forma adequada seus direitos e deveres.