ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 31/10/2020

Durante a Idade Antiga, a comunidade política Romana organizava-se em cidades-estado, onde o direito ao voto era somente concedido aos cidadãos romanos (civitas), homens e maiores de 21 anos. Após anos de reformas e greves políticas, os jovens brasileiros contemporâneos tem o direito de exercer a cidadania política, mas pouco a fazem. Isso faz com que as diretrizes democráticas estejam cada vez mais distantes, e se deve a fatores intrínsecos a uma sociedade globalizada descrente na organização política.

Primeiramente, destaca-se a curva decrescente de participação dos jovens nas eleições — segundo o STE, apenas um em cada cinco adolescentes de 16 e 17 anos tirou título de eleitor no ano de 2018 — o que demonstra como essa grande massa populacional vem perdendo o interesse por tal área. Esse fato está diretamente relacionado à visão de “política”, adquirida pelo senso comum e influenciada pela mídia, que se estabelece como algo chato, distante e sinônimo de falcatruas. O autor alemão Arthur Schopenhauer cita que “o homem toma os limites do seu próprio campo de visão como os limites do mundo”, de maneira análoga, não é complexo entender a falta de interesse em discussões políticas por parte de diversos jovens que não se veem inseridos no contexto político, o que acaba os distanciando do poder exercido pela cidadania.

Por conseguinte, os jovens sempre foram a vanguarda em movimentos que abriam novos caminhos, atuando sob as ordens das instituições políticas, sindicais, religiosas ou militares e acendiam na sociedade uma chama muito forte: a necessidade da busca pela participação política para que, por meio desta, possam exigir melhorias sociais. Entretanto, seria utópico pensar na conscientização sobre a importância do voto se antes não for dada ao povo a noção dos seus próprios direitos.

Destarte, visto que a diminuta participação dos jovens na política configura-se como um problema para a democracia brasileira, certas medidas devem ser tomadas para que tal grupo seja atraído novamente ao meio político. Para tanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação disponibilize disciplinas e campanhas que tratem da importância da participação política, bem como o ensino da cidadania, dos direitos e dos deveres, cativando os jovens a exercer seus direitos como cidadãos, possibilitando a renovação de ideias e, consequentemente, a mudança na representação política, de modo a melhor atender às demandas sociais, para que a democracia brasileira possa ser legitimamente consolidada.