ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 16/10/2020

Muito além do partidarismo

A política, palavra de origem grega que se referia à pólis, surgiu a partir da necessidade do ser humano organizar a vida em sociedade. Desse modo, diante da conjuntura de desigualdade, preconceito, violência, entre outras problemáticas sociais, o ato de votar se configura como uma possibilidade de mudança social. Entretanto, muitos cidadãos não compartilham da referida perspectiva, vendo na política apenas a questão partidária ao invés de uma possível mudança, esquecendo-se, assim, do histórico de lutas sociais que configurou o Brasil atual.

A princípio, é comum que os indivíduos associem a política apenas ao partidarismo, resultado de uma falta de conscientização a respeito do tema, o que termina por eliminar toda a fundamentação científica que envolve o assunto. Logo, o que se esquece é que todos os atos cotidianos são atos políticos, uma vez que a liberdade de ir e vir, por exemplo, se trata de uma conquista social. Diante disso, dentro de uma visão lockiana, exercer a política é garantir que o Estado defenda e promova os direitos básicos dos seres humanos, tais como vida e propriedade.

Além disso, de acordo com o filósofo Aristóteles, o homem é um animal político, ou seja, o ser humano realiza-se em sociedade, sua virtude está na vida social. Nesse sentido, é fundamental recordar que todas as grandes e pequenas conquistas sociais, como o voto feminino no século passado, vieram de atos políticos, através de greves, do voto e de manifestações como os movimentos abolicionistas e o “Diretas Já”. Assim, a consciência de que dificilmente se mudará o país a partir de reclamações nas redes sociais precisa ser desenvolvida no senso coletivo. Nesse viés, se torna pertinente a filosofia de Karl Marx ao propor a práxis em oposição ao idealismo teórico e utópico.

Portanto, diante da conjuntura de banalização da política, é necessário que a Secretaria da Educação, através dos professores de sociologia, realizem espaços de palestras e grupos de discussões, em épocas de eleições, sobre a política e sua importância e amplitude, tendo como público a comunidade. Ademais, o Poder Legislativo deve propor que a imprensa, no conhecido horário político, em especial a televisão, reserve um intervalo de tempo também à conscientização política, se utilizando de cientistas sociais contratados através de verba pública, ao invés de apenas focar nas opções partidárias. Dessa forma será possível esclarecer os cidadãos do seu protagonismo político e fazer com que a política se torne um dos meios de maior eficiência no que tange à melhoria do país.