ENEM 2002 - O direito de votar

Enviada em 31/10/2020

A Constituição Federal, de 1988, prevê a todos os cidadãos o direito à educação, à segurança e ao voto. No Brasil, entretanto, as eleições não têm garantido transformações sociais - como a promoção da igualdade de gênero, combate ao racismo, etc - configurando uma afronta a condição humana. Nesse contexto, é valido analisarmos as principais causas, consequências e uma possível solução ao problema.

Primeiramente, é possível perceber que configurações eleitorais antigas, como o voto de cabresto, muito comum no Brasil durante o século XVIII, ainda persistem. Na atualidade, a Justiça Eleitoral tem trabalhado duramente no combate a compra de votos, a fim de evitar que criminosos adentrem em cargos públicos. Mesmo com o apoio da Polícia Federal, não se tem tido êxito no combate aos novos Coronéis. Desse modo, a atual conjuntura do processo eleitoral tem se tornado uma ameaça a democracia, sendo, assim, inaceitável tais condições.

Ademais, a quem já tenha percebido o quanto o voto de cabresto atual tem prejudicado as minorias. Ativistas como Manuella Davilla, feminista e política, têm chamado atenção para o fato de haver pouca representação política das mulheres e de negros. Isso ocorre devido a existência de políticos poderosos, com grande poder de compra de votos, deixando pessoas com capacidades de representação fora de cenário político. Assim, não é possível aceitarmos que em um país membro pleno da ONU as minorias sejam pouco representados.

Portanto, para que as prescrições constitucionais não sejam apenas teóricas, medidas precisam ser tomadas. A Justiça Eleitoral, por meio da ajuda de desenvolvedores de software, deve criar um aplicativo que possa receber denúncias de compra de votos, com o acesso permitido a qualquer cidadão que deseja fiscalizar as eleições. Espera-se, com isso, que a corrupção durante as eleições seja atenuada. Somente assim esse problema será solucionado, pois, segundo Gabriel Pensador, “Na mudança do presente a gente molda o futuro”.