ENEM 2002 - O direito de votar
Enviada em 17/10/2020
Durante o período da República Oligárquica, os coronéis - latifundiários que detinham o poder local - prestavam favores à população em troca de votos no período de eleições; esse feito ficou conhecido como “voto de cabresto”. Fora do contexto histórico, é fato que a realidade apresentada nessa época pode ser relacionada à conjuntura do século XXI: a alienação política dos brasileiros, bem como a escassez de políticas educacionais voltadas à compreensão governamental. Logo, é inegável a necessidade de combater este óbice.
De antemão, vale destacar que há uma ideia difundida entre boa parte dos cidadãos de que “a política não se discute”. Este pensamento provoca, sobretudo, uma intensa manipulação midiática no campo sufragista, tornando a negligência dos indivíduos um meio para a circulação do senso comum. Segundo Aristóteles, filósofo grego, todo homem é um animal político, ou seja, todos devem se responsabilizar pelas ações governamentais. Infelizmente, a concepção de Aristóteles encontra-se distante da realidade brasileira ao ser observado que as pessoas não se comprometem com seus respectivos deveres - estes, conquistados com muito sofrimento como é visto ao longo da história brasileira -.
Por conseguinte, é válido destacar que a falta de uma estrutura educacional no país é concomitante com a perpetuação da problemática apresentada. No Ensino Médio, por exemplo, são raras ou inexistentes as discussões sobre a importância de um sufrágio consciente e responsável. Todavia, segundo o filósofo suíço Rousseau, é papel da educação formar a vontade geral no indivíduo, transformando-o em cidadão. No Brasil, evidencia-se uma via contrária à cidadania, dando um pretexto ao estado alienado da população e estabelecendo, dessa forma, a resolução desta problemática uma prioridade.
Em virtude do que foi mencionado, urge que o Estado tome providências para reverter o quadro atual. O Ministério da Educação - principal órgão responsável pela pedagogia do país - deve fomentar que as escolas e instituições públicas adotem a “Semana do Voto Responsável”. Nela, será tratada sobre a importância que o sufrágio tem à população brasileira, apresentando aos alunos a dificuldade em conquistá-lo no decorrer da história com o intuito de incentivá-los ao pensamento político e crítico. Cabe ao Ministério da Cultura evitar a manipulação midiática e a propagação de um senso comum no que diz respeito a decisões governamentais no meio social. Dessa forma, o voto não será tratado como na época da República Oligárquica, mas como um importante dever democrático a ser cumprido.